Alberto João Jardim governa a Madeira há 36 anos. Hoje, pela sua governação, nós madeirenses vivemos paredes meias com o desemprego, a miséria, a falência e o desespero, num receio constante que esta péssima vizinhança nos bata à porta. Para que falhasse, apesar dos inúmeros avisos, Alberto João Jardim cometeu um erro fatal. Este erro, e ao mesmo tempo a explicação para estar tanto tempo no poder, foi fazer opções com base na clientela que pretendia alimentar em vez de governar em função das reais necessidades socioeconómicas da Madeira. Estoirou milhões de euros provenientes dos apoios comunitárias, do orçamento de Estado, dos impostos dos madeirenses e da dívida pública aterradora que criou para hoje termos um vasto cardápio de obras obsoletas que não acrescentam valor à competitividade da nossa economia nem proporcionam qualquer benefício para a qualidade de vida dos madeirenses. Refiro-me concretamente a muitos enrocamentos erigidos em cima do mar e que ele vem reclamar todos os anos, à proliferação de piscinas fechadas porque não há dinheiro para o aquecimento da água, à marina do Lugar de Baixo que todos conhecem, aos estádios e infraestruturas desportivas que davam para uma população 5 vezes superior à nossa, à febre de canalizações de ribeiros para que as margens fossem ocupadas e tenhamos catástrofes cada vez mais comuns, aos passeios marítimos que o mar se encarregará de ir engolindo, aos descomunais centros cívicos onde cabe o dobro da população da freguesia, às obras na baía do Funchal que serão uma eterna dor de cabeça, entre muitos outros exemplos que continuarão a pesar em dívida e manutenção nos nossos magros orçamentos. A maior fatalidade deste erro, além de continuar a insistir nele, é sermos nós madeirenses, e não ele, Alberto João Jardim, quem o tem de pagar.
Hélder Spínola