A Assembleia Legislativa inicia, na próxima segunda-feira, a discussão do orçamento regional para o próximo ano. Um documento que deveria ser o último da responsabilidade de Alberto João Jardim, se cumprisse a promessa de deixar o seu sucessor no partido governar até às eleições de 2015, mas que tudo indica será... um dos últimos.

Ao longo dos anos, assistir à discussão do orçamento, além de ser um teste à resistência, física e psicológica – felizmente acabaram as longas maratonas de debates pela madrugada dentro -, é um desafio à capacidade de digerir doses industriais de demagogia e, como diz o povo, conversa fiada.

O orçamento para 2014 arrisca-se a entrar no topo-10 dos mais engraçados, não fosse o cenário de desgraça em que os madeirenses vivem.

A proposta que será defendida pela ainda maioria parlamentar, tem alguns pormenores que entram no campo da ficção e nos domínios do Harry Potter. Não é brincadeira, é mesmo verdade, o Governo Regional espera, em 2014, arrecadar mais 49% de IRC – todos os dias encerram empresas e a Zona Franca é aquela coisa do ovo no dito cujo da galinha -, para um total de mais de 800 milhões de receitas fiscais.

Em anos bons, sem crise e com a economia a andar, impulsionada pela Europa, a Madeira tinha receitas fiscais de 700 milhões. Em crise, com um desemprego assustador e cada vez menos ajudas europeias... deve ser anedota.

Na próxima semana, lá estaremos, para mais uma penitência pré-natalícia que tem a maior prova de esforço no último dia, o discurso do ainda presidente do Governo.