Esse poder foi questionado e penalizado pelos eleitores que desejam uma verdadeira mudança Caminhamos a passos largos para o fim do ano. 2013 fica marcado por ter sido um ano ainda mais difícil para um número elevado de famílias madeirenses e para muitas empresas que fecharam portas, sucumbindo ao aumento de impostos e à falta de clientela. A par da agonia inerente ao processo de intervenção externa do país e do plano de assistência económica e financeira, o que penaliza duplamente os madeirenses, fomos confrontados com um rol de situações graves, designadamente no setor da saúde da Região, onde faltou e falta de quase tudo, de simples lençóis a imprescindíveis máquinas de diagnóstico. Na verdade, em 2013 houve uma deterioração aflitiva em quase todos os domínios públicos dos serviços prestados à população. A falta de dinheiro imperou, pelas causas já bem conhecidas de todos nós. O garrote imposto aos madeirenses pela troika e por Lisboa gerou uma implacável violência sobre grande parte da população. Se em termos sociais presenciámos a uma regressão, a nível político 2013 vai ficar nos anais por ter sido o “ano da mudança” na Região. As eleições autárquicas de setembro provocaram um golpe profundo no PSD/M, que comanda os destinos insulares desde 1976. Não bastando a hecatombe, a rebelião interna instalou-se no partido da “seta para cima”, gerando uma peculiar situação nunca vista por esses lados: o líder esbraceja para conseguir manter-se à tona, no meio das labaredas projetadas por antigos fiéis que o culpam pelo estado calamitoso a que deixou chegar a Região e o partido. Entre viagens pela Europa, cada vez mais numerosas, mas de duvidosa utilidade coletiva, apresenta-se de cabeça perdida, sem estratégia, ferido por um combate perpetrado pelos seus próprios delfins. Esse poder foi questionado e penalizado pelos eleitores que desejam uma verdadeira mudança: de hábitos, de postura, de liderança. Num ano especialmente difícil e de perda de rendimentos, que alma caridosa madeirense permite que os titulares de cargos políticos continuem a poder acumular ordenado e reforma? Quem concordará com a continuação da existência do denominado “jackpot” que é entregue aos partidos com assento parlamentar? Quem pactuará com a existência de um órgão de comunicação social alimentado pelo nosso dinheiro, com fins meramente propagandísticos e que apenas serve para alimentar os caprichos de um homem só? Quando falta o básico para muitos, o desemprego aumenta e os cuidados sociais se deterioram, o pensionista que aufere 500 ou 600 euros/mês ou o trabalhador precário não pode aceitar uma desigualdade tão chocante. Não se trata de questões legais, mas de situações moralmente reprováveis. Se na verdade somos impotentes para resolvermos grande parte dos nossos problemas e dos que afligem a sociedade em estamos inseridos, temos o poder de mudar os que nos representam. Saibamos usá-lo na persecução de uma Madeira mais justa, mais equilibrada, que consiga revitalizar a economia regional e dar igualdade de oportunidades a todos sem exceção. P.S.: Confesso que não estou obcecado com as passagens aéreas entre Lisboa e a Madeira mas custa-me entender que todos os anos, pelo Natal, a TAP pratique tarifas escandalosamente altas para um destino que se encontra a 90 minutos. Sem demagogias, não resisto a repetir que é muito mais barato adquirir uma deslocação para outro qualquer destino europeu, onde se encontra facilmente preços que oscilam entre os 80 e os 200 euros. Para o Funchal são 551 euros (TAP). A Easyjet fica-se pelos 414 euros... Mesmo com antecedência, os valores não descem significativamente. Suspeito que muitos estudantes madeirenses no continente ficarão por terra neste Natal. Roberto Ferreira

Esse poder foi questionado e penalizado pelos eleitores que desejam uma verdadeira mudança

Caminhamos a passos largos para o fim do ano. 2013 fica marcado por ter sido um ano ainda mais difícil para um número elevado de famílias madeirenses e para muitas empresas que fecharam portas, sucumbindo ao aumento de impostos e à falta de clientela. A par da agonia inerente ao processo de intervenção externa do país e do plano de assistência económica e financeira, o que penaliza duplamente os madeirenses, fomos confrontados com um rol de situações graves, designadamente no setor da saúde da Região, onde faltou e falta de quase tudo, de simples lençóis a imprescindíveis máquinas de diagnóstico. Na verdade, em 2013 houve uma deterioração aflitiva em quase todos os domínios públicos dos serviços prestados à população. A falta de dinheiro imperou, pelas causas já bem conhecidas de todos nós. O garrote imposto aos madeirenses pela troika e por Lisboa gerou uma implacável violência sobre grande parte da população. Se em termos sociais presenciámos a uma regressão, a nível político 2013 vai ficar nos anais por ter sido o “ano da mudança” na Região. As eleições autárquicas de setembro provocaram um golpe profundo no PSD/M, que comanda os destinos insulares desde 1976. Não bastando a hecatombe, a rebelião interna instalou-se no partido da “seta para cima”, gerando uma peculiar situação nunca vista por esses lados: o líder esbraceja para conseguir manter-se à tona, no meio das labaredas projetadas por antigos fiéis que o culpam pelo estado calamitoso a que deixou chegar a Região e o partido. Entre viagens pela Europa, cada vez mais numerosas, mas de duvidosa utilidade coletiva, apresenta-se de cabeça perdida, sem estratégia, ferido por um combate perpetrado pelos seus próprios delfins. Esse poder foi questionado e penalizado pelos eleitores que desejam uma verdadeira mudança: de hábitos, de postura, de liderança. Num ano especialmente difícil e de perda de rendimentos, que alma caridosa madeirense permite que os titulares de cargos políticos continuem a poder acumular ordenado e reforma? Quem concordará com a continuação da existência do denominado “jackpot” que é entregue aos partidos com assento parlamentar? Quem pactuará com a existência de um órgão de comunicação social alimentado pelo nosso dinheiro, com fins meramente propagandísticos e que apenas serve para alimentar os caprichos de um homem só? Quando falta o básico para muitos, o desemprego aumenta e os cuidados sociais se deterioram, o pensionista que aufere 500 ou 600 euros/mês ou o trabalhador precário não pode aceitar uma desigualdade tão chocante. Não se trata de questões legais, mas de situações moralmente reprováveis. Se na verdade somos impotentes para resolvermos grande parte dos nossos problemas e dos que afligem a sociedade em estamos inseridos, temos o poder de mudar os que nos representam. Saibamos usá-lo na persecução de uma Madeira mais justa, mais equilibrada, que consiga revitalizar a economia regional e dar igualdade de oportunidades a todos sem exceção. P.S.: Confesso que não estou obcecado com as passagens aéreas entre Lisboa e a Madeira mas custa-me entender que todos os anos, pelo Natal, a TAP pratique tarifas escandalosamente altas para um destino que se encontra a 90 minutos. Sem demagogias, não resisto a repetir que é muito mais barato adquirir uma deslocação para outro qualquer destino europeu, onde se encontra facilmente preços que oscilam entre os 80 e os 200 euros. Para o Funchal são 551 euros (TAP). A Easyjet fica-se pelos 414 euros... Mesmo com antecedência, os valores não descem significativamente. Suspeito que muitos estudantes madeirenses no continente ficarão por terra neste Natal.

Roberto Ferreira