Acho que hoje todos estamos conscientes da enorme gravidade da atual crise e de como vai ser longa, ainda que uma luz ao fundo do túnel pareça começar a acender-se. Duma forma muito dura está a pôr à prova a nossa capacidade de resistência. Apesar de todos os sacrifícios, muitas vezes distribuídos de forma muito injusta sem uma ética que esteja subjacente à austeridade, nenhum se equipara ao maior de todos: ficar desempregado. O trabalho é libertador, realiza-nos, ajuda a dar um sentido à nossa vivência, contribui para a nossa felicidade, torna o tecido social mais forte e coeso. Temos por isso a obrigação de tudo fazer para combater o desemprego. É a melhor política social que podemos implementar, para além de ser um verdadeiro imperativo ético! Temos por isso a obrigação de olhar para a presente crise como uma excecional oportunidade de mudança. Estou convicto que teremos a sabedoria para não desaproveitar esta oportunidade para construir uma sociedade melhor. E uma sociedade melhor está muito longe de ser a de hoje cheia de provações materiais, mas também não é aquela que experimentámos nas últimas décadas, em que nos envolvemos numa euforia consumista, em larga medida derivada do crédito barato. Uma sociedade melhor é aquela em que a ideia de Progresso não está associada apenas a mais desenvolvimento económico, a mais criação de riqueza, a mais eficiência, produtividade e competitividade. Estes valores são fundamentais, tal como são valorizarmos, a inovação e uma cultura de mérito e de iniciativa. Uma sociedade melhor é aquela em que a ideia do progresso está associada também à redução da pobreza, ao reforço da coesão e inclusão social, à valorização do trabalho e à busca da felicidade. Uma sociedade que por isso, não pode sacrificar uma das fontes mais importantes da felicidade que consiste na qualidade dos relacionamentos humanos, em família, no trabalho e na comunidade. Uma sociedade melhor é aquela que conta com mais sentido de responsabilidade e solidariedade social, e é menos individualista e mais focalizada no bem comum. Com um melhor balanceamento entre os valores éticos e os valores materiais. Em suma com um melhor equilíbrio entre o ter e o ser. Acima de tudo centrada na pessoa humana e na defesa da sua dignidade. Os horizontes de esperança que temos o dever de construir passam por uma sociedade mais humana.
Sérgio Marques Candidato a líder do PSD-M