Quando fui convidado para, na qualidade de presidente da direcção da ACINM, escrever mensalmente um pequeno apontamento sobre a economia rural, fiquei indeciso em aceitar por não ter formação na área. Porém, decidi aceitar o desafio, após a explicação da direcção do DN que o pretendido não era nada académico, mas sim uma visão de como as pessoas do meio rural organizam a sua vida no dia-a-dia, no fundo as vivências do mundo rural e a gestão dos seus recursos. E já lá vão quase dois anos nesta brincadeira de ouvir, de observar atentamente como vivem as pessoas, de perceber o que pensam sobre determinados temas, quer lhe digam directamente respeito ou não, e depois tentar transmitir aos leitores esses sentimentos e vivências. A grande maioria dos textos que aqui escrevi teve uma fonte de inspiração e de consulta, que era também leitora assídua e com opinião crítica sobre os mesmos. Infelizmente não posso mais recorrer a essa grande enciclopédia, à qual devo muito daquilo que hoje sou. Por esse motivo cheguei a ponderar a hipótese de não voltar a escrever. Mas como ao longo destes meses tenho recebido muitas palavras de apoio de carinho, de conhecidos, amigos e mesmo de pessoas que simplesmente apreciam alguns desses textos, em jeito de homenagem a ela - e enquanto os leitores e direcção do DN assim o entenderem - irei recorrer a outras fontes para poder continuar escrever algo sobre a vida no norte da Madeira. “É a lei da vida”, dizia outra leitor quando manifestei esta minha intenção. E dizia mais: que vivemos num país em que há leis e regulamentos que entram em vigor num dia e são revogadas no dia seguinte; num mundo em que os governos e governantes fazem leis, que são os primeiros a não cumprirem, ou que depois alteram a seu favor, ou dos seus interesses e dos seus amigos. Mas o meu interlocutor fez questão de acentuar: “a lei da vida!” Não sei quem a fez, se foi ou não aquele que a teve cumprir também. O certo é que até hoje, apesar de tantas invenções, descobertas e regras que o homem tem sido capaz de criar, ainda não foi capaz de a revogar e todos têm de a cumprir, mesmo os que se julgam eternos e que julgam estar acima de tudo e todos.

Joel Freitas Presidente da ACINM