José António G. de Freitas Na última década, muitos nós vivemos a fantasia da abundância, da alta qualidade de vida, da riqueza inexistente. Chegando a esta época natalícia, não faltaram os bons presentes. Para os filhos, era quase imperativo oferecer o Ipod, o Ipad, o computador, o telemóvel top gama (qual o jovem que não tinha um Blackberry ?), roupas de marca, etc, etc. Os jantares nos restaurantes, com os colegas do dia a dia, seguidos das idas ao bares e discotecas, faziam-nos sentir cidadãos urbanos, civilizados, muito in. A austeridade veio com as consequências conhecidas, e caímos na realidade. Por experiência pessoal, por conversas com amigos, colegas e outras, constatei que nos últimos dois anos, voltamos um pouco ao Natal de antigamente. Reaprendemos a valorizar os jantares nas nossas casas com os amigos, com os familiares, a solidariedade para com os mais desfavorecidos, que hoje são muitas vezes as pessoas das nossas relações que perderam o emprego, ou no mínimo viram os seus rendimentos reduzidos. Voltamos a apreciar o conforto da nossa casa, das conversas dentro de portas, enfim reduzimos as banalidades do momento, que duravam e tinham sabor a pouco. Os presentes são mais modestos e em menor número. Os jantares fora, só em ocasiões especiais. Continuamos a nos vestir bem, mas com contenção. As mulheres de facto, souberam a se adaptar aos tempos. Continuam bonitas e até mais modernas. Eu continuo a gostar da época do Natal, que para mim é unica na Madeira, e sinto-me um privilegiado por passá-lo em familía juntos dos meus pais já velhinhos, dos irmãos e sobrinhos.