O turismo tem, regra geral, como referência as estações do ano ou, também, com base naquelas, as épocas de verão e de inverno. Os destinos procuram tirar proveito das vantagens que registam em cada uma dessas alturas do ano. Os motivos da natureza atraem num determinado sentido, as edificações noutro e os eventos promovidos encarregam-se de preencher os vazios ou de reforçar a atratividade naqueles espaços temporais. A dinâmica da promoção é, também em regra, ajudada pela animação que se desenvolve nos destinos, procurando combinar todos os esforço no objectivo comum de captar visitantes. A Madeira já foi um fantástico destino de inverno, onde, entre outros, os mercados escandinavos encontravam o paraíso. Hoje é um destino marcado pela sazonalidade típica e usual em tantos outros comuns destinos turísticos, onde o mês de Agosto é rei e senhor. A globalização encarregou-se de produzir alguns efeitos nesta equação turística e a vulnerabilidade dos destinos, em relação aos acontecimentos mundiais, afirmou-se como nunca, saindo mais reforçada naqueles que ainda não optaram por procurar aprofundar a sua própria liderança no processo, de si muito exigente, e, simultaneamente concorrencial. Hoje, assiste-se a crescimentos importantes neste sector regional que não se relacionam com qualquer compromisso assumido, meta apontada ou propósito eleito. É certo que o sector, em 2012, registou um dos piores desempenhos e que só esta evolução o salvaria de maior desgraça. Mas, então, a que se deve esta recuperação? Encontramos resposta na nova “estação” turística: a Primavera Árabe. Segundo as organizações internacionais que lideram o sector do turismo, esta é a grande responsável pelos efeitos sentidos em vários destinos, onde se inclui, naturalmente, a Madeira, não deixando de alertar para o efeito que se fará sentir quando as motivações da mesma se encontrarem esgotadas. Acresce referir que a característica desta “estação” assenta não na atração de visitantes mas na criação temporária de oportunidades nos destinos concorrentes, por via do desvio da procura para aqueles. Aproveitar esta circunstância é uma obrigação que nos assiste, no entanto, é preciso ter em conta o prazo de validade da mesma e não esquecer que, por mais contributos conjunturais que dela se recebam, o futuro dependerá, acima de tudo, de nós e da nossa capacidade de o antecipar, do que de momentos, como este, em que basta, simplesmente, reagir aos acontecimentos.

Eduardo Jesus Economista