1 – Cristiano Ronaldo escolheu a Madeira, “a minha terra” como recentemente fez questão de lembrar àqueles, que o acham arrogante, para mostrar, num museu, os seus troféus desportivos. Mais uma lição dada pelo “rapaz” de Santo António! Não entendo, aliás, se calhar, não entende a maioria dos Madeirenses, a razão do Governo Regional desperdiçar mais esta oportunidade de promover a Região através do Madeirense mais conhecido de sempre no Mundo! Não entendo a razão porque não foi sugerido e até oferecido ao Cristiano Ronaldo um espaço no edifício, até agora inútil, da praça do Mar. Um centro de excelência na passagem de turistas e Madeirenses, a maioria desportistas que escolhem aquela zona para as corridas e exercícios de manutenção. O mesmo espaço, mas num contexto diferente, ou seja, um outro museu, poderia acolher algumas obras do espólio do comendador Berardo. Àquele, actual mamarracho, era dado utilidade e movimento comercial, já que em redor destes importantes museus poderiam surgir a restauração e lojas comerciais. 2 – O sorteio do Mundial no Brasil deu a Portugal, para a realização dos jogos, cidades com alto índice de humidade. Não seria mau sugerir à Federação Portuguesa de Futebol e a Paulo Bento, a realização de um estágio na Madeira antes da prova, já que, como sabemos, o que não nos falta por cá são grandes valores na taxa de humidade relativa do ar. Seria um bom ensaio para a nossa selecção, antes dos grandes confrontos na prova. É claro que é preciso apresentar as melhores condições de treino para os jogadores. 3- Foi também através do desporto, que Nelson Mandela conseguiu unir negros e brancos na África do Sul. O campeonato do Mundo de rugbi realizado na África do Sul, com vitória da equipa da casa, uniu uma Nação que ao longo de décadas viveu sob a tirania da segregação racial. Um exemplo para o Mundo! O desporto alcançou o que muitas cimeiras e encontros da treta de governante e diplomatas, que só sabem parir agendas inócuas, nunca conseguiram. Uma estratégia de um grande mestre do perdão, Mandela. Uma tarefa que se tornou simples pela estratégia de um homem simples! Tive a felicidade de conhecer este herói pessoalmente e admiro-o por tudo. Sei o que foi o apartheid. Vivi, como emigrante na África do Sul, numa época em que as ruas, os carros, os alimentos e até as casas de banho, tudo era dividido entre brancos e negros. Assisti ao exercício patético do branco superior sobre ao negro. Fiquei com raiva e nojo dessa gente. A maioria Madeirenses! Muitos exemplos racistas a que assisti, foram a razão do meu regresso à Madeira! Mas não esqueço estas memórias que me fazem com que olhe para Nelson Mandela como um mártir, mas também como o meu herói!
Mário Gouveia Jornalista