47 milhões de doláres foi quanto Barack Obama gastou, exclusivamente nas redes sociais, na sua campanha eleitoral, durante a eleição para a Casa Branca em 2012, ao passo que Mitt Romney – o concorrente republicano – reservou, para esse efeito, pouco menos de 5 milhões de doláres, quase 10 vezes menos. Todavia, a revolução no marketing político teria a sua génese em 2007, quando o então senador do Estado do Illinois anunciava a sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos da América, uma altura em que as redes sociais davam os primeiros passos e em que o Iphone ainda não tinha visto a luz do dia. Tal como John Kennedy havia percebido o verdadeiro potencial da televisão – derrotando Nixon no processo –, Obama foi o primeiro político a conquistar e usar em seu proveito as redes sociais. Mas não se pense que o poder das redes sociais é medido em quantidade ou em velocidade, na verdade a linha orientadora terá de ser a capacidade de disseminação do conteúdo e o impacto causado no destinatário final. Nesse sentido, de pouco vale trilhar os caminhos das redes sociais meramente pela viagem e apenas focado na euforia da partida. O verdadeiro poder desta nova forma de comunicação, não está na tecnologia em si, mas na sua capacidade de criar um novo diálogo entre a política e os cidadãos, longe do modelo de comunicação em massa e colocando-o ao nível do frente-a-frente, do um para um. A política, e os seus agentes, devem ver nas redes sociais uma ferramenta fundamental para promover a participação individual do cidadão, capacitando-o a fazer a diferença. É este sentimento de pertença que escasseia na política dos nossos dias, e as redes sociais são fundamentais para deixar que a actividades política deixe de ser de “alguns” e passe a ser de “todos”.
João Paulo Marques