A era da análise de dados devidamente ilustrada em gráficos, tem vindo, a passos gigantescos, a superar análises que contemplem as pessoas nas sua dimensão biopsicossocial.
As teorias do passado recente que surgiram para humanizar serviços e organizações, rápidamente foram esquecidas e colocadas fora das listas prioritárias de qualquer programa ou projecto do governo.
Em nome da divida e da vontade do governo em cumprir metas estabelecidas em papel, Portugal passou a ser mais um dos países onde as pessoas valem muito pouco, sendo apenas consideradas números que se movimentam em tabelas financeiras, em linhas idênticas aos icebergs onde o visivel é apenas o que importa valorizar. O que não se vê não é produtivo, logo está totalmente isento de qualquer investimento.
Ora vejamos, se a saúde mental é um bem precioso para a produtividade de um país, a falta dela resultará no oposto, certo? Para mim não há qualquer dúvida.
Estou certa de que os resultados desta corrida financeira e desta obsessão orçamental vai dar origem a situações gravissimas de desiquilibrio social, visíveis no passado e no presente, noutros lugares do mundo.
Como tal os estragos, que já começaram a efectuar-se, com tendência para se agravarem, vão a curto prazo deixar o país numa situação muitissimo mais dificil do que a que já se encontra no presente momento.
Não é necessário dar exemplos porque eles são já tão obvios que só mesmo um pequeno grupo de gente mal crescida prefere ignorar.
Tenho visto alguns debates televisivos, poucos, mas os suficientes para ficar profundamente incomodada e triste com as palavras e raciocinios que saem da boca de gente cuja formação académica e educação de valores e principios está muito aquém das necessidades do país.
Afinal que tipo de pessoas andam as universidades a formar e que educação andam os pais a partilhar? Parece que também não preciso de me alargar na resposta.
A palavra humanidade tornou-se um termo quase poético, sei lá, circunscrito à literatura. Todos percebem o seu significado mas para muitos não tem qualquer expressão prática.
A lei da selva chegou de novo a Portugal. A cadeia alimentar traça o destino só que no caso concreto o alimento é o poder económico. Quem tem mais lidera e explora quem tem menos e abate, se for necessário, o que considera desperdicio.
Em nome de qualquer coisa, que não é boa coisa, estamos a caminhar para um sistema perverso e promotor de doença.
Eu acho que da mesma forma que muitos ignorantes, com cultura acima da média, consideram os psicólogos e os psiquiatras técnicos de última linha inventados para os fraquinhos, os atuais governantes consideram,as gravissimas carências sociais, um mal menor para servir os seus propósitos.
Onde irão estar esses senhores no dia em que a doença saltar dos corpos e das mentes e extravasar o tecido social, até agora aparentemente impenetrável? Onde? Acreditem que gostava muito de saber.
O que está a acontecer no país é uma agressão à dignidade humana.
Face a determinados argumentos da classe politica na tentativa de justificar o absurdo, só consigo sentir desprezo e uma total desconsideração.
Não sei quanto tempo vai demorar, mas a coisa não vai correr bem...
Manuela Parente