Aparentemente, passa pelas intenções da SATA repensar a intenção de ter estacionado na Madeira um dos seus aviões. O Airbus A320 que garantiu uma série de ligações europeias nas épocas passadas (verão e inverno) deverá ser colocado noutras rotas, no que já me foi dito terá sido uma decisão “política”. Acuso o Governo Regional da Madeira e a secretaria de turismo e transportes de terem tido uma visão autista do mundo e do mercado, e de desde sempre terem colocado os seus pescoços – e os nossos – nas mãos dos tour operadores. Seria urgente para o turismo da Madeira a criação de um tour operador local, eventualmente português, para trabalhar nos mercados de origem, assegurando a criação de mais valias em Portugal. E dar a este tour operador os meios para trazer, ele próprio, ou uma outra empresa, local ou portuguesa, os turistas que nos visitam, dos seus países de residência até à Madeira. Não quer dizer que não devêssemos trabalhar com os tour operadores tradicionais, mas pelo menos desta maneira não estaríamos totalmente na mão de empresas como TUIs, NURs, EasyJets, ou Transavias (.fr ou .nl). Acuso o Governo Regional da Madeira e a secretaria regional de turismo e transportes (bem como as outras) de investir milhões (muitos) na cimentização da ilha, depois de durante anos se saber da preocupação manifestada pelos turistas que nos visitam, e que representam a única alternativa de turismo sustentada desta ilha, sobre excesso de construção na Madeira. Aparentemente, a prioridade foi sempre gastar cimento, ao invés de investir na requalificação da paisagem e das povoações e das suas gentes, de forma a (continuar) a dar aos que nos visitam aquilo que sempre encontraram aqui: calma, natureza e simpatia…
Roberto Loja