A gravidade das patologias que afectam a nossa Região estão à vista de todos e exigem uma resposta política célere e adequada do principal partido político da nossa Região Autónoma. Mas com uma liderança política que vive em permanente estado de negação vamos perdendo um tempo precioso com cortinas de fumo e erros políticos primários que apenas contribuem para o descrédito do PSD/M e do Governo junto da opinião pública. O “despacho?!!” a propósito das dividas das Câmaras à EEM é paradigmático. Percebo bem que algum baronato partidário, hoje minoritário, preso a uma lógica de aparelho e de dependência, tenha dificuldades em entender algumas lições recebidas nas últimas eleições autárquicas e se recuse a mudar o que quer que seja. Mas já me custa mais aceitar que, em pleno século XXI, e após 39 anos de institucionalização da Democracia, se tente converter o normal debate interpartidário sobre o futuro, num processo maniqueísta de insulto, intimidação e insinuação sobre pessoas, instituições e candidatos. Aceitar acriticamente alguns dos delírios plasmados nas folhas dos JM significa uma cedência cívica e moral à prepotência e ao ostracismo das ideias e dos projectos que devem moldar o nosso futuro colectivo. Devemos assumir, face às dificuldades da actual conjuntura, um novo compromisso de mudança, assente na exaltação da nossa capacidade de vencermos as dificuldades e assegurarmos um futuro promissor para a nossa Região Autónoma e para o nosso Povo. Atitude responsável que passa pela permanente preocupação da gestão do bem comum e da exigência do que isso significa. Atitude de exemplo e de consciencialização colectiva, num novo ciclo político, em debate livre intrapartidário e com a sociedade, que afaste de vez a ideia de que a Madeira caminha para um estado de “não solução”, e de desmotivação permanente da sua população. A intimidação, a falsa vitimização e a invocação permanente de bodes expiatórios não são mais do que uma triste manifestação de impotência política. E pouco significam num projecto político para o futuro.
Miguel Albuquerque