É cada tiro, cada melro. Até com um simples congresso para discutir assuntos de desporto, este desgoverno consegue criar um caso que, no limite, levou à demissão de um director regional.
Esta política doméstica faz lembrar, pelas piores razões, aquele governo esquisito de Pedro Santana Lopes, que também não acertava uma. A diferença é que de Santana Lopes tratou Jorge Sampaio, que era o Presidente da República. Não serve, rua! E assim fez o Presidente. Com Jardim, o caso é diferente. Toda a gente vê que não está a agir bem, mas não acontece nada. Até tem razão na decisão de chamar ao debate os clubes principais que tinham sido vetados, mas chegou tarde. E esse atraso, mais uma vez, deixou ficar mal toda a Região, o que é cada vez mais habitual. Para usar uma expressão cara, diria que há uma evidente repugnância de Estado em relação à Madeira, com tudo o que isso implica para quem vive deste lado do mar. No fundo, ninguém de Lisboa quer saber do que aqui se passa, desde que não se vá para lá pedir dinheiro. E isso é mau.
Mas voltemos ao congresso que era e deixou de ser.
Primeiro soube-se que por razões que ainda ninguém percebeu totalmente, dirigentes dos principais clubes foram calados. Mesmo assim, o congresso foi formalmente apresentado nesta quarta-feira, na Universidade da Madeira, numa cerimónia em que estava o reitor, o secretário e o director regional. Já nesta quinta-feira, o Conselho de Governo decidiu por uma estranha “conveniência” adiar os trabalhos. E ficou toda a gente de cara à banda. Toda a gente menos o secretário regional da tutela. O mesmo Jaime Freitas que na quarta-feira enalteceu a importância do congresso, explicou na quinta-feira que, afinal, tinha de ser adiado. Assim, com uma aparente naturalidade que chega a ser desconcertante.
Mas este governo trapalhão não se fica por aqui. Desenvergonhado, autista e artista, perante o anúncio público de que o director se demitira, o ‘senhor governo’ chega-se à frente para dizer que não, que João Santos não se demitira, que praticamente fora demitido. Como se o problema fosse saber se foi o ovo ou a galinha a chegar primeiro e não a trapalhada de um governo que neste caso se confunde com a associação recreativa dos políticos aposentados ou a com a confraria do peixe sem espinhas.
Episódios grotescos como este não são assim tão poucos. Há resmas, paletes de exemplos. Veja-se, só nestas últimas semanas, a subtracção da gestão do jardim de Santa Luzia à Câmara do Funchal ou a perseguição às câmaras por causa da conta da luz. E agora esta brincadeirinha do congresso que deveria envergonhar o mais atrevido político. Mas não, parece que passa tudo como água na ribeira, sobretudo com este secretário que sendo o mais novo membro do governo será o que mais experiência tem em acumular desautorizações e desmandos e piruetas até ajoujar, como se não fosse nada com ele. Um verdadeiro tesourinho deprimente que em qualquer outra latitude daria lugar imediato a pedido de demissão sem olhar para trás.
Para terminar a semana em beleza, o calote do PSD à Empresa de Electricidade da Madeira. A mesma que corta a luz a madeirenses que não a podem pagar, a mesma que aperta - e bem! - com as câmaras, a mesma que deixou andar a dívida da Fundação Social Democrata. Feitas as contas, só o PSD e a Fundação devem mais do que algumas câmaras onde o presidente do Governo, eleito pelo PSD, mandou executar as dívidas. Se isto não é brincar com coisas sérias, então é mesmo gozo descarado. E em vez da lógica do 'quem vier que apague a luz', aqui inova-se e aplica-se a teoria de 'quem vier que pague a luz'.
Na Venezuela, Maduro chocou o mundo ao decretar o Natal em Novembro. Na Madeira, Jardim diverte o País ao instalar o circo o ano inteiro.