José Henriques No passado dia 11 de Novembro fui multado numa rua, ao lado da Escola Básica c/ Pré-Escolar Tenente Coronel Sarmento (Ilhéus) – o automóvel estava parado antes de uma passadeira e não em cima dela, mas em todo o caso na linha amarela. Encontrava-me ali por três, quatro minutos, no máximo, de modo a que pudesse ir buscar os meus dois filhos à referida escola. O agente da PSP, da secção de trânsito, encontrava-se algures, certamente bastante próximo do local e, num ápice, procedeu à autuação (que palavra estúpida). Assumo como certo que o automóvel não deveria estar estacionado na linha amarela. No entanto, estamos ao lado de uma escola, sem grandes condições de estacionamento, e às 16 horas é a hora, para muitos pais, de ir buscar as crianças. O autuante sabe disso. Mas parece que o facto de o saber, ainda o tornou mais ávido para autuar. Apesar do acima exposto, o que gostaria de destacar tem que ver com a dualidade de critérios da PSP. Senão vejamos: todos os dias, ao passar na rotunda da Cruz Vermelha, para o meu local de trabalho, constato o seguinte: está quase sempre lá um agente da dita secção, que certamente vê (se não vê que tire os óculos de sol!) que muitos pais estacionam os seus automóveis na linha amarela e nas linhas que assinalam a paragem de autocarro de modo a poderem ir pôr os seus filhos nas escolas das proximidades, a saber, Apresentação de Maria, Externato Lisbonense (etc). O agente está por ali mas não o vejo a autuar. No dia seguinte a ter sido multado, constatei o que acabo de descrever e, portanto, posso concluir que há aqui dois critérios: um, para pais de uma escola pública e com um nissan micra, de 99, a cair aos bocados e, outro, para pais que deixam os seus filhos em algumas escolas privadas (talvez com um carrinho um bocadinho melhor). Não ponho em causa o direito destes pais a deixarem os seus filhos nas suas escolas, com calma e segurança. Mas gostaria de ter, também, um tal direito. Certamente, perante o agente da PSP, devo ter alguma falta de estatuto, apresentando-me com o pobre micra, de 99. Mais acrescento, agora num registo maquiavélico, que a secção de trânsito da PSP faria melhor o seu trabalho se «perseguisse» os clientes das Frutas e Legumes e da Padaria Sésamo que param em cima dos passeios para irem comprar a frutinha e o pãozinho, em vez de reincidirem nos pais que, simplesmente, vão buscar os seus filhos às escolas. Nestes e noutros casos, nesta ilha, a PSP mostra a sua fraqueza em todo o seu esplendor, apesar dos óculos de sol e do ar imponente e autoritário que tentam mostrar perante… condutores de micras e corsas de 99.