Agora que muitos acreditam que a Europa já bateu no fundo e que a crise começa a desvanecer, uma pergunta começa a surgir com alguma frequência: Qual a próxima bolha especulativa capaz de motivar uma nova crise? A lógica das bolhas especulativas é simples e tem sido a mesma ao longo dos tempos: tudo começa com um aumento significativo no preço motivado por investimentos significativos que são suficientes para aumentar o gap entre o valor real do ativo e o seu valor de mercado. Este incremento nos preços adultera o mercado, pois atrai compradores que adquirem o ativo com a única intenção de o vender no futuro por um preço mais elevado. Estes movimentos, causados pela entrada de um número elevado de compradores, desajusta o equilíbrio entre a oferta e a procura e cria uma espécie de pirâmide natural alimentada pela entrada de novos compradores. O fim da bolha normalmente não é de fácil previsão, mas o certo é que acaba sempre por estalar, quando os compradores percebem que o valor de mercado é irreal ou quando já mais ninguém quer ou pode comprar o ativo em questão. Claro que não podemos ser catastróficos e estar sempre a pensar no pior, mas quando o assunto é dinheiro, não podemos perder o foco do que realmente tem valor para saber distinguir um ativo com potencial económico e uma potencial bolha especulativa. Destaco três ativos que considero potenciais bolhas especulativas. O primeiro, e o mais significativo, é o ouro. À semelhança de outros metais, o ouro é transacionado em bolsa e o seu valor quase não tem parado de subir desde 2000.A partir de 2008, este ativo tornou-se numa espécie de porto seguro para investidores e aforistas, o que amplificou ainda mais a sua valorização. Como sabemos, o ouro é um metal raro que pela sua natureza causa um desfasamento natural entre a oferta e a procura que por sua vez provoca a sua valorização. Mas se vermos bem, e parafraseando Warren Buffet, “o ouro é retirado debaixo da terra, derretido e novamente guardado debaixo da terra onde pagamos a uma pessoa para ficar a guardá-lo”. Visto assim, a única razão pela qual um investidor compra ouro, é se acreditar que irá conseguir vendê-lo mais tarde por um valor superior, pois acreditará que mais pessoas também vão querer comprá-lo. O ouro é um dos ativos cujo valor tem subido sem um fundamento económico subjacente, pelo que faz dele uma bolha especulativa potencial. Outra bolha especulativa potencial, e já tradicional, é o mercado imobiliário. Parece que muitos países não aprenderam nada com a atual crise, uma vez que os preços das casas já recuperaram todo o seu valor desde a queda verificada com o inicio da crise em 2008. Londres, Canadá, Alemanha, Noruega, Bélgica e Suíça estão a causar preocupação pois os preços das casas já subiram entre 30 e 40% desde 2008.Segundo um estudo de Goldman Sachs, quanto maior a subida de preços, maior a probabilidade de vermos uma queda nos cinco anos seguintes. Segundo este estudo, a Alemanha e a Suíça são os países com maior probabilidade de queda nos próximos anos, o que pode ser particularmente grave se considerarmos a historia recente dos Estados Unidos e do sul da Europa. A terceira e última, é a bolha das redes sociais. A entrada em bolsa da Twitter volta a chamar a atenção para as startups de Silicon Valley e para as empresas ligadas ás redes sociais. A espetacular valorização no primeiro dia de cotação de um titulo de uma empresa que nunca conseguiu resultados positivos, foi um claro sinal de alerta para a sobrevalorização das empresas que gerem e desenvolvem redes sociais, que nos poderá fazer reviver num futuro próximo, o período do fim da bolha dotcom de 2000/2001.
Luís Pedro Branco