1 – Apetecia-me falar de um tal Blatter, mas não vou falar! Porque não falo de dementes nem de caquécticos, por ventura, vítimas da idade, até porque ninguém está livre de um dia também ficar assim e os exemplos estão à nossa porta. Não falo de um indivíduo, que se cristaliza na presidência da FIFA e que já ameaçou recandidatar-se, para mal do futebol. Não falo de alguém que ao longo dos mais de trinta anos no poder do mais alto organismo do futebol Mundial, nos tem brindado com atitudes e tiradas que fazem corar ou rir qualquer um ser normal na face da terra. Não falo de gente que lidera um organismo que anda nas bocas do Mundo por alegados casos de corrupção. Os tribunais que julguem! A justiça que investigue como se atribui os títulos de melhor treinador e jogador do Mundo. Mourinho já deu exemplos que caíram em saco roto. Ou, o que estará por detrás da atribuição do Mundial de futebol ao Qatar. Não falo de um tal avô que queria ter um filho que lhe desse um neto chamado Messi. Não falo de um pateta que através de uma representação patética procurou condicionar, outra vez, a atribuição do título do melhor jogador do Mundo, ridicularizando o mais completo jogador do Mundo, Cristiano Ronaldo. Não falo porque prefiro não perder tempo com esse tal de Blatter. 2 – Apetecia-me falar do Portosantense, mas não vou falar. Não vou falar porque a equipa de futebol fechou as portas e deixou de competir. Não vou falar dos milhões que foram gastos ao longo de dezenas de anos com o clube para agora simplesmente, desistir por falta de dinheiro. Não falo de coisas ridículas que não fazem sentido depois de tantos anos a absorver rios de dinheiros públicos sem qualquer fim lucrativo. Não falo de opções nem de políticas que deram para o torto, mesmo quando os avisos foram mais que muitos. Não falo da construção de um campo de relva natural, onde foram plantados milhões de euros, numa ilha onde abunda a falta de água de rega. Não quero falar no futuro do Portosantense, do campo relvado, dos directores que por lá passaram e geriram milhões, dos sonhos que se esfumaram a centenas de jovens da ilha, a quem lhes fora prometida uma vida de gloria desportiva em vez das drogas. Não quero falar porque só de pensar que me levaria, outra vez, a pedir a intervenção da justiça, prefiro não perder tempo!

Mário Gouveia