Sócrates bem tem tentado - e pelos vistos com algum sucesso - limpar a imagem real que tinha deixado quando foi para Paris Diz-se que “quem não tem vergonha, todo o mundo é seu”. Uma frase que se aplica na perfeição ao espetáculo que se tem assistido em relação a José Sócrates. O ex-primeiro-ministro, que nos deu o empurrão fatal para a falência do País (os governos anteriores também têm culpas), surgiu das cinzas - ou como eles gostam de dizer “da travessia do Deserto” - com uma força proporcional à sua falta de vergonha. Uma força enorme! Com a boleia ingénua do governo do PSD, que o convidou a ter um tempo de antena dominical no canal público pago com o dinheiro dos contribuintes, Sócrates bem tem tentado - e pelos vistos com algum sucesso - limpar a imagem real que tinha deixado quando foi para Paris e nos deixou entregues à Troika que ele tinha chamado para Portugal no dia que nos levou à falência total. Depois de uma passagem por Paris, onde foi estudar Ciência Política (estudou política não antes mas sim depois de já ter sido primeiro-ministro!), Sócrates trouxe-nos uma tese, que levou dois anos a escrever, onde conclui que afinal, em democracia, não se deve torturar os presos. Valha-nos Deus que foi esta a conclusão. Uma louvável conclusão. A tese foi apresentada em Lisboa «com toda a pompa e circunstância». Os Soares, os Alegres foram lá todos. Aliás Soares fez questão de dizer que Sócrates “foi o melhor aluno do Curso”. Julgo que se referia ao curso tirado em Paris e não ao da licenciatura conseguida através de várias universidades de Lisboa, e que, recorde-se, terminou num Dia do Senhor (num domingo). Depois do lançamento do livro escrito por Sócrates, sobre a Tortura, foi um «vê-se-te-avias» de entrevistas, programas, receções, conferencias, etc. Até debates sobre Kant! A melhor de todas foi sem dúvida a entrevista que deu ao jornal Expresso, pois foi a mais genuína e que “só ele a poderia dar”, como adiantou um apoiante e camarada socialista. E tem toda a razão. A entrevista é de um baixo nível assustador que chega a envergonhar alguma desavergonhada classe política portuguesa. Perante este cenário a critica que eu faço não é, obviamente, ao Sócrates. Afinal ele é coerente à sua já longa conduta pessoal. O que critico é a Direita decente e a Esquerda decente de assistirem a este triste espetáculo sem qualquer reação. De facto temos uma Direita muito medíocre. Uma Direita acomodada e de salão que prefere uma simples chávena de chá morno numa simples mesa deste País a ir á rua contestar ou, pelo menos, falar alto contra o «politicamente correto» que só serve para encobrir e branquear os sócrates desta vida. Já escrevi e repito: os que levaram Portugal à falência (e não foi apenas o Sócrates) deveriam ser julgados e condenados! Afinal faliram um País com 800 anos de História. Levaram milhões de portugueses à miséria, milhares de empresas à falência, um Estado delapidado e a uma humilhante intervenção externa. Mas em vez de estarem julgados e condenados (e já agora presos) andam todos por aí... impunes. Que vergonha! Mário Soares: o incendiário Os grandes estadias não se veem só quando estão no poder. Também são facilmente identificados quando estão retirados e que com as suas intervenções, sugestões e obviamente ensinamentos são de uma grande oportunidade e lucidez. Soares parece ter decido viver apenas do passado. De facto foi um lutador contra a Ditadura e o primeiro Presidente civil na Democracia que acabou por conquistar, na altura, boa parte dos portugueses devido ao seu perfil (seria falso?) conciliador. No entanto preferiu, nos últimos anos, colocar de parte qualquer perfil conciliador. Curiosamente agora é que seria útil para Portugal ter um Estadista que sugerisse a melhor forma de se encontrarem os consensos, a concertação social, enfim aquilo que o País precisa mas que a nossa medíocre classe política não consegue fazer e que o povo, que lhe paga tanto, pede e necessita: consensos! Soares prefere o contrário. Com intervenções extremistas, incendiárias, ofensivas, divisionistas, Soares preferiu cair na mediocridade e abandonar de vez o papel que poderia ter tido de Estadista. As pressões que faz contra o seu próprio partido e líder do PS, as iniciativas que organiza, os discursos que faz são de uma tristeza e exageros alarmantes. Que pena acabar assim. Livro Oportuno com esta crónica sobre “o regresso dos desavergonhados” sugiro um livro escrito por uma jornalista espanhola que vive e trabalha em Portugal e que reuniu os grandes escândalos de corrupção e outros, que envolveram figuras políticas portuguesas. O título do livro diz tudo: “Impunidade”. A autora é Virgínia López e foi editado pela Esfera dos Livros. Paulo Neves

Sócrates bem tem tentado - e pelos vistos com algum sucesso - limpar a imagem real que tinha deixado quando foi para Paris

Diz-se que “quem não tem vergonha, todo o mundo é seu”. Uma frase que se aplica na perfeição ao espetáculo que se tem assistido em relação a José Sócrates. O ex-primeiro-ministro, que nos deu o empurrão fatal para a falência do País (os governos anteriores também têm culpas), surgiu das cinzas - ou como eles gostam de dizer “da travessia do Deserto” - com uma força proporcional à sua falta de vergonha. Uma força enorme! Com a boleia ingénua do governo do PSD, que o convidou a ter um tempo de antena dominical no canal público pago com o dinheiro dos contribuintes, Sócrates bem tem tentado - e pelos vistos com algum sucesso - limpar a imagem real que tinha deixado quando foi para Paris e nos deixou entregues à Troika que ele tinha chamado para Portugal no dia que nos levou à falência total. Depois de uma passagem por Paris, onde foi estudar Ciência Política (estudou política não antes mas sim depois de já ter sido primeiro-ministro!), Sócrates trouxe-nos uma tese, que levou dois anos a escrever, onde conclui que afinal, em democracia, não se deve torturar os presos. Valha-nos Deus que foi esta a conclusão. Uma louvável conclusão. A tese foi apresentada em Lisboa «com toda a pompa e circunstância». Os Soares, os Alegres foram lá todos. Aliás Soares fez questão de dizer que Sócrates “foi o melhor aluno do Curso”. Julgo que se referia ao curso tirado em Paris e não ao da licenciatura conseguida através de várias universidades de Lisboa, e que, recorde-se, terminou num Dia do Senhor (num domingo). Depois do lançamento do livro escrito por Sócrates, sobre a Tortura, foi um «vê-se-te-avias» de entrevistas, programas, receções, conferencias, etc. Até debates sobre Kant! A melhor de todas foi sem dúvida a entrevista que deu ao jornal Expresso, pois foi a mais genuína e que “só ele a poderia dar”, como adiantou um apoiante e camarada socialista. E tem toda a razão. A entrevista é de um baixo nível assustador que chega a envergonhar alguma desavergonhada classe política portuguesa. Perante este cenário a critica que eu faço não é, obviamente, ao Sócrates. Afinal ele é coerente à sua já longa conduta pessoal. O que critico é a Direita decente e a Esquerda decente de assistirem a este triste espetáculo sem qualquer reação. De facto temos uma Direita muito medíocre. Uma Direita acomodada e de salão que prefere uma simples chávena de chá morno numa simples mesa deste País a ir á rua contestar ou, pelo menos, falar alto contra o «politicamente correto» que só serve para encobrir e branquear os sócrates desta vida. Já escrevi e repito: os que levaram Portugal à falência (e não foi apenas o Sócrates) deveriam ser julgados e condenados! Afinal faliram um País com 800 anos de História. Levaram milhões de portugueses à miséria, milhares de empresas à falência, um Estado delapidado e a uma humilhante intervenção externa. Mas em vez de estarem julgados e condenados (e já agora presos) andam todos por aí... impunes. Que vergonha!

Mário Soares: o incendiário Os grandes estadias não se veem só quando estão no poder. Também são facilmente identificados quando estão retirados e que com as suas intervenções, sugestões e obviamente ensinamentos são de uma grande oportunidade e lucidez. Soares parece ter decido viver apenas do passado. De facto foi um lutador contra a Ditadura e o primeiro Presidente civil na Democracia que acabou por conquistar, na altura, boa parte dos portugueses devido ao seu perfil (seria falso?) conciliador. No entanto preferiu, nos últimos anos, colocar de parte qualquer perfil conciliador. Curiosamente agora é que seria útil para Portugal ter um Estadista que sugerisse a melhor forma de se encontrarem os consensos, a concertação social, enfim aquilo que o País precisa mas que a nossa medíocre classe política não consegue fazer e que o povo, que lhe paga tanto, pede e necessita: consensos! Soares prefere o contrário. Com intervenções extremistas, incendiárias, ofensivas, divisionistas, Soares preferiu cair na mediocridade e abandonar de vez o papel que poderia ter tido de Estadista. As pressões que faz contra o seu próprio partido e líder do PS, as iniciativas que organiza, os discursos que faz são de uma tristeza e exageros alarmantes. Que pena acabar assim.

Livro Oportuno com esta crónica sobre “o regresso dos desavergonhados” sugiro um livro escrito por uma jornalista espanhola que vive e trabalha em Portugal e que reuniu os grandes escândalos de corrupção e outros, que envolveram figuras políticas portuguesas. O título do livro diz tudo: “Impunidade”. A autora é Virgínia López e foi editado pela Esfera dos Livros.

Paulo Neves