A capital da Madeira conheceu novos autarcas há poucos dias, numa cerimónia pautada por um facto político provinciano, como se esta fornada autárquica do Funchal carecesse duns enfeites do reino, que viessem à colónia reverencial tomar parte de festa alheia, permitindo-lhes palco mediático, que amenizasse as chagas do seu sofrível “ranking” político.
Não rebato a relevância nacional do evento, nem tão pouco professo, a demonização básica dos partidos políticos, tão na moda. Registo apenas o aproveitamento desse acto, dum projecto independente que vingou com hábil discrição partidária.
A Madeira, apesar do “napalm laranja” que a fustigou por mais tempo que a Guerra do Vietname, suscita ainda um poder apetecível. E nesta escassez, há sobras de que resultam pratos fabulosos.
Eu quero acreditar que os ventos de mudança concretizam o desassombro que as pessoas sufragaram, mas, com distintos estilos na acção e sinais palpáveis. Os ventos que sopram não trarão mel escorrido, por muita maquilhagem comunicacional que façamos.
As populações que escolheram projectos alternativos - por oposição ao marasmo situacionista - só evidenciarão mudanças SE os protagonismos exacerbados, o entusiasmo ébrio e sobretudo, a clássica lógica do “aparelhismo partidário” - alimentado pela tentação em colonizar tachos - forem refreados. Mais. Se os embutidos vícios sedimentados por décadas forem varridos, decapitados. A máquina administrativa requer higienização em nome da tal “primavera de cidadania”, que corresponda à exigência dos prognósticos de efervescência social. Que a montanha não se limite a parir mais ratos.
Será determinante a imprescindível humildade de interpretar esta efémera e volátil ilusão de conquista, para não cairmos na vã esparrela deste poder precário. O mesmo que tanto foi criticado.
Donato Macedo