Paula Fonseca Porque será que aqueles que mais agitam as bandeiras da liberdade e dos direitos dos trabalhadores são precisamente os primeiros a violarem os direitos dos seus concidadãos?

As greves no século 21 são obsoletas, e deveriam ser consideradas abuso de posição dominante. Se não, vejamos o caso das greves nos transportes – públicos, é claro, porque no sector privado não se vêem greves. Porque são as vontades destes funcionários públicos mais importantes do que os direitos dos utentes que já pagaram os seus passes? Não acabam os direitos de uns onde começam a liberdade dos outros?

Se acham que não estão bem no sector público, então, que se mudem para o privado. Ai, pois é, não pode ser, se não perderiam os privilégios que os restantes trabalhadores não têm, nomeadamente: trabalhar há décadas sem avaliações nem objectivos, mas ter, contudo, um emprego para toda a vida; ganhar mais; receber maiores pensões e ter melhor sistema de saúde.

Claro que só reclamam paridade quando é em seu próprio benefício, porque uma verdadeira paridade, que ponha fim a esta escandalosa injustiça, não querem eles.