Luís Gomes Em 2011 terão nascido em Portugal 97.100 bebés e pelo menos desde que há registos, o país ficou pela primeira vez abaixo dos 100.000 nascimentos num ano.

Em 2012 a situação agravou-se, tendo nascido apenas 90.026 crianças.

Este ano calcula-se que nasçam em Portugal menos 8.000 bebés que em 2012 e menos 15.000 que em 2011 de acordo com dados recentemente fornecidos pelo Instituto Nacional de Saúde.

Uma realidade que não sendo exclusiva do nosso país nos deve preocupar, porque se persistir é suscetível de comprometer o futuro desta velha Nação, tanto numa perspetiva social e cultural, como de sustentabilidade económica.

A crise e a opção de muitos jovens pela emigração justificam em parte esta “evolução”, mas, não só…

Serão porventura as explicações mais simples e também as mais oportunas para quem tem ou teve responsabilidades governativas e se “esqueceu” durante anos a fio de promover, propor ou apoiar políticas de apoio às famílias, cujos custos financeiros seriam largamente compensados pelos enormes benefícios sociais que implicariam.

Essa é a outra parte da explicação que não pode ser ignorada.

O papel das famílias na educação, na formação e no desenvolvimento das crianças, que sempre fora reconhecido e valorizado, passou a ser secundarizado. A transmissão de valores éticos e morais, fundamentais no processo de socialização dos jovens passou a ser indesejada. E nada disto aconteceu por acaso, mas, por influência de correntes ideológicas de esquerda, que nunca esconderam uma enorme desconfiança pela instituição familiar e que sempre reclamaram a atribuição dessas funções ao Estado!

A defesa e a promoção da família há muito que deixaram de fazer parte das prioridades dos nossos governantes, que por convicção, conveniência ou cumplicidade com determinados “lóbis”, sempre pareceram muito mais empenhados na implementação de um pacote de medidas ao serviço de outras “agendas”. Como por exemplo a legalização do aborto por simples opção da mulher, a legalização do “casamento” entre homossexuais ou a co-adoção de crianças por “casais” do mesmo sexo.

Que como é fácil perceber, podem satisfazer aspirações e “direitos” individuais ou de minorias sociais e até colher simpatia em alguma comunicação social, mas, não são socialmente estruturantes, não promovem a família natural, nem estimulam a natalidade.

E o que mais impressiona é a enorme diferença entre o empenho e o investimento do Estado na discussão e na implementação de tão profundas mudanças sociais, por comparação com a quase omissão nos apoios à instituição familiar…

A vida faz-se com escolhas e as escolhas têm consequências, pelo que mesmo que não o queiram admitir, foram as opções de quem marcou ou condicionou a agenda política, e, especialmente as prioridades de quem nos governou, que fizeram o “caminho” que nos conduziu ao sítio em que nos encontramos:

Perante uma “crise” económica e financeira sem precedentes e com uma profundíssima e não menos grave “crise” social, que está muito longe de ser apenas consequência da anterior...

Se todos esperamos que a “crise” económica e financeira seja conjuntural, já a “crise” social parece estrutural e resulta em grande parte de uma vergonhosa tentativa de destruição dessa pequeníssima instituição que tem sido um pilar fundamental da nossa civilização: a família!

Por ironia, o egoísmo subjacente a muitas opções individuais e coletivas é o mesmo que agora “ameaça” a sustentabilidade de inúmeros direitos que se pensavam adquiridos: Como garantir o direito à reforma, sem renovação geracional?

Como garantir a sustentabilidade do chamado “estado social”, se os contribuintes são cada vez menos e os beneficiários estão a aumentar todos os dias?

A “evolução” demográfica é apenas um “grito” da estatística, que nos alerta para o “abismo” para onde caminhamos!

Estaremos a tempo de o evitar ?