A incerteza que encerra a mudança começa a sobrepor a vontade de alterar o passado e o presente. A mudança tem sempre determinado tipo de resistências por confrontar as nossas certezas, os nossos hábitos e o valor do nosso comodismo.
Os sinais que a sociedade vem demonstrando em diversas áreas, enfrentando não só a própria denominação de mudança, mas o que ela encerra de alteração aos valores vigentes e tradicionais. Carece de uma reflexão e de uma análise sustentada das causas que levam uma sociedade a encarar a mudança como um seu desígnio, e inevitável a partir de certas conjunturas.
Uma sede de mudar e trocar as certezas pelas incertezas, o conhecido pelo desconhecido, e ir à procura da aventura da inovação e criatividade, ou só a crença de ir ao encontro da mudança motivado pela saturação, insatisfação e consciencialização da negação a todo o custo da vivência da normalização de um passado que se arrasta no presente.
A tendência para focar uma só causa para determinados acontecimentos é seguramente redutora da realidade. Os contextos determinam dinâmicas muito mais complexas e gerais que implicam análises detalhadas e profundas dos sentimentos que proporcionam estas mudanças de estado de espírito e mesmo culturais.
Na verdade parece que a proposta de mudança, é muito mais assertiva do que o marasmo e o conforto proporcionado pelo passado.
A dinâmica que se gera, uma vez em movimento, por vezes é incontrolável, podendo se levantar a dúvida, se a inércia se deve à afirmação e procura de novos paradigmas se o sentimento e afirmação do contraditório.
Mais do que satisfazer as pessoas e a sociedade em geral, é entender que a recetividade à mudança é grande, e que os paradigmas do passado estão obsoletos, degradados e sem expressão neste novo século.
O desafio pode-se confundir com a mudança, mas é necessariamente a adoção de novas práticas, novas metodologias, novas dinâmicas e uma busca incessante por adequar às novas realidades, procedimentos e objetivos obrigatoriamente diferentes e apelativos à nova sociedade.
Persistir com as mesmas fórmulas para problemas e contextos diferentes, é negar a especificidade e a sustentabilidade dos novos desafios e entender que novas práticas são fundamentais e exigíveis para ganhar o futuro.
O desporto não foge à regra e está à espera dessa mudança, ordeira mas de rotura nomeadamente com as práticas e com os desafios do passado, para ganhar o futuro modelando e antecipando-o, no sentido de uma atitude proativa e fugindo à reatividade que muitas vezes por questões estruturais e de contexto estamos atados e ficamos inoperantes.
Um novo rumo para o desporto, com regras e normas definidas, viabilizando e fomentando planeamentos adequados e sustentados, em projetos plurianuais com avaliações parcelares, para garantir a adequação aos novos valores e definir a missão para a atividade física e desportiva.
Venha daí o novo congresso do desporto, para falar do futuro!
Rui Mâncio