Tal como todos os espíritos vivos, um partido político zela pela sobrevivência do seu corpo. E tal como todas as outras espécies, para esse efeito, o corpo político evolui com o tempo.
Acresce que tenho para mim como certo que a profissão mais antiga do mundo não é a de prostituta, já que conheço titulares de cargos da administração pública regional em idade bem avançada, e essa minha convicção vem de encontro à tese que hoje apresento. O político tem aprendido com os animais mais antigos à face da terra: os répteis.
Por exemplo, quando se sente ameaçada, a lagartixa, assim como a maioria dos lagartos, é capaz de soltar a cauda, mecanismo conhecido como autotomia. Para se defender, o animal força uma fractura num ponto específico do rabo, que se desprende de forma indolor, continuando em movimento por mais uns momentos (pois os impulsos que o cérebro mandou para a cauda ainda lá estão). Por sua vez, o predador passa a concentrar a atenção no membro mais agitado, permitindo que a lagartixa escape ilesa.
Esta aparente autoflagelação comporta um dano mínimo para a lagartixa porque a amputação temporária pode, efectivamente, salvar-lhe a vida. E o processo pode mesmo ser repetido, após a regeneração do rabo.
Ora, diabos me levem se não é exactamente isto que alguns partidos políticos têm andado a fazer: soltar rabos para sobreviver!!!
O problema é quando o membro partidário não sabe que é rabo e pensa que é lagartixa…. E é vê-los por aí, sem patas, a mexer o mais que podem.
Tresandam de tão mortos que estão. Ninguém lhes diz que são rabos? …Ninguém os chama à razão? …Será que até a morte se esqueceu deles?! Pois se ninguém lhes diz, digo eu:
Ex.mos Senhores, apesar da V. extrema utilidade na locomoção do partido a que pertenceram até a presente data, está na altura da V. amputação. Isto porque, não obstante serem todos feitos da mesma matéria, estando em causa a sobrevivência do clã, os restantes elementos consideraram V. Ex.cias …um rabo.
Rubina Sequeira