JFC É nota dominante no discurso dos comentadores políticos, como Manuela Ferreira Leite, que é inevitável e necessária uma correção no sistema de Segurança Social para torná-lo sustentável. Mas, esses mesmos comentadores, acham chocante e criminoso que essa mesma correção possa ter efeitos retroativos. Ou seja, aquela geração que teve décadas a atribuir a si própria reformas e subsídios cada vez mais altos, não se importa com os cortes desde que não lhes toque. Então, é a minha geração que tem que fazer os descontos necessários para manter essa geração na “boa vida” – enquanto a nós nem sequer podem garantir que exista uma segurança social daqui a vinte anos. Os reformados que não se queixem, afinal foram eles os maiores responsáveis pelo estado em que se encontra o Portugal de hoje. Recordo-me, de há alguns anos, um jornalista de segunda (Vicente Silva) ter cognominado a minha geração de “rasca”. Afinal, a geração “rasca” era a dele: uma geração que andou a fingir que trabalhava, prosperando à custa da “esmola” dos dinheiro europeus, elegendo sucessivos governos “rascas” que compravam os seus votos com aumentos salariais e subsídios que não reflectiam a realidade económica do país.

Uma geração de cursos profissionais da “treta” (cursos que formavam formadores que formavam formadores que formavam formadores, “ad infinitum”) -- Portugal investiu numa legião de “formadores” que só sabem formar formadores mas não sabem ensinar coisa alguma! Uma geração rasca que manteve Jardim no poder durante mais de 30 anos e agora assume-se como a sua vítima incauta. Não pode haver direitos adquiridos quando os mesmos foram adquiridos de forma “fraudulenta”. Se tem que haver sacrifícios que seja para todos!