António Ferreira A forma como se faz um caso político, pode ser um indicador de distorção nas nossas vidas. Não podemos deixar entrar águas turvas no nosso espaço tanto privado como público, caso contrário, a estagnação acomoda-se e invade todos os cantos. E, não tenhamos dúvidas, se há lugar onde a objectividade é fundamental, esse lugar tem como nome a Assembleia Legislativa da Madeira. Outro ponto relevante é que, na casa da democracia, a dignidade não precisa de ter signatários para estar presente.
Vejamos o seguinte episódio: Carina Ferro - deputada do PS - pediu a palavra no hemiciclo e adverte que a assembleia não é palco para zurzir pigarreias pessoais, numa “achega” onde não sublinha o nome de nenhum deputado, nem remete a crítica para ninguém em particular. Suponho que a crítica merece atenção exactamente por ser transversal ao espectro político regional. Até lanço a hipótese, com larga margem de segurança de sua veracidade, que ninguém de boa-fé levaria a mal uma advertência desta natureza, ou seja, ninguém com dois dedos de testa poderá discordar que a nossa assembleia legislativa não é, de forma alguma, uma “casa de loucos”, mas sim o local por excelência para discutir política, especialmente, quando está em causa um diploma afecto a um tema tão urgente e relevante como a pobreza na região.
Assim, revelando o lado objectivo deste episódio, é de estranhar o título publicado neste matutino: deputada socialista acusa José Manuel Coelho (PTP) de dizer “patetices”; e é de uma total falta de clareza o sub-título da mesma notícia, em que é dito que Carina Ferro veio em defesa seja que de deputado for. Como já foi mencionado, para apelar à dignidade não são precisos signatários. Para terminar, deixo o pedido: sejamos clarividentes ao tratar assuntos sérios. Esta é uma solicitação transversal, que pode começar no hemiciclo e terminar nas rotativas deste jornal.