Ao contrário do que se possa pensar, numa primeira análise deturpada pela emoção e ainda sob efeito do tsunami eleitoral de há três semanas, o que o Governo Regional fez, ao não participar nas cerimónias de tomada de posse das câmaras em que o PSD-Madeira perdeu – espero que o faça nas outras cinco -, não é má educação, garotice, birra de menino mimado ou simples desconhecimento do que é a democracia. Foi um acto do mais elevado sentido de serviço público e merecedor de reconhecimento.

Ao não comparecerem nas cerimónias em que os eleitos do Povo que não votou PSD tomaram posse, o presidente, vice e secretários do Governo Regional fizeram um grande favor à democracia e à Região.

Primeiro, porque não gastaram verbas para reforçar a reserva de medicamentos para a azia, o que não agrava, ainda mais, o descalabro orçamental da Saúde.

Segundo, não obrigaram os presentes a ouvir discursos sem qualquer interesse, perdidos no tempo e a entrar no campo da literatura fantástica, com aqueles personagens da maçonaria ou de outras sociedades secretas ao estilo Harry Potter. Só por isso já merecem um louvor pelo esforço de defesa da sanidade mental dos madeirenses.

Por fim, e este o feito significativo, porque deixaram espaço para o convidado mais importante e que merece estar em todas as cerimónias: o Povo. A foto da primeira página do DIÁRIO de ontem é a imagem do que se passou nesta terra a 29 de Setembro. O Povo, mesmo aquele que era considerado incondicional do regime, optou por uma mudança radical. E foi ver o resultado do seu gesto corajoso.

Só por essa fotografia já valeu o esforço dos membros do Governo Regional que se sacrificaram e preferiram ficar na sombra. Bem hajam.