198,8 milhões de euros é quanto o Orçamento de Estado (OE) reserva para a Cultura. Um acréscimo de 8,6 milhões em relação ao OE para 2013, ou seja, uma variação positiva de 3,2%. Muitos leitores devem estar já a gritar “heresia”, pois um documento que corta rendimentos, sendo por isso manifestamente duro para muitos portugueses, atribui mais verbas a um sector que, para muita gente, incluindo responsáveis políticos que deveriam ter outro grau de... responsabilidade (e muito mais cultura), é só despesa. Mas antes de me deixar imolar pelo fogo puritano, começo por dizer que é das poucas coisas boas do OE e passo a explicar, calmamente, que o aumento das transferências não resulta de mais gastos do Estado português com aqueles que a vox populi menos informada intitula como “mandriões”. Resulta, isso sim, de operações de encerramento de projetos incluídos no Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), bem como da entrada em vigor do novo Quadro Estratégico Comum (QEC) 2014-20, da União Europeia, que tem como eixos importantes o apoio à inovação, às novas tecnologias e ao conhecimento, considerados factor chave para o desenvolvimento económico e social, e para a competitividade. Pois é, meus caros amigos, o dinheirito pra estradas, piscinas e mamarrachos vários está a findar, para desespero de alguns e para alívio de outros (entre os quais eu orgulhosamente me incluo – mais achas pra fogueira!). Era aqui que eu queria chegar. Estará a Região preparada para aproveitar o QEC que se avizinha? Teremos nós, simpáticos ilhéus, feito o “trabalhinho” de casa necessário? Eu creio bem que não. Parte da explicação para a nossa impreparação parece-me ter sido dada por Nuno Nunes (que destas, e eventualmente de outras coisas, percebe bem mais do que eu), num artigo publicado na última quinta-feira, no Diário que está a ler e do qual retive uma frase: “A alternativa à especialização inteligente não pode ser a generalização da estupidez”. Pois bem eu, infelizmente, acho que durante anos apostámos claramente na... generalização da estupidez.

Gonçalo Nuno Santos