Como diz o ditado “até ao lavar dos cestos é vindima”. Uma vez que essa tarefa já está concluída e os lagares também já foram lavados, mesmo os que serviram para fazer a cidra, os agricultores gozam agora de uma certa e merecida folga. Não férias, porque trabalho há sempre e daqui a alguns dias já começam as espoldas.
Este ano parece que ninguém se pode queixar da má colheita. Aliás,há zonas em que, quer as videiras, quer os pereiros produziram muito e de boa qualidade. Por exemplo em São Vicente, a tinta negra mole foi uma fartura, havendo mesmo quem afirme que nunca deu tanto. Para os lados do Porto Moniz, já dizem que o jaqué não foi assim tanto em quantidade mas que as uvas eram de boa qualidade. Mas a surpresa foi para os lados de Santana, onde o verdelho, principalmente o de S. Jorge, que é uma casta que dá muito trabalho e é difícil de cuidar. Segundo me contou um produtor da localidade, teve uma boa colheita, quer em quantidade, quer em qualidade.
Já relativamente aos peros e à cidra, a produção por esta zona, é residual porque os pomares são poucos. Mas segundo ouvi dizer, o mesmo já não se passou pelos lados da Camacha, Santo da Serra e por essas localidades mais próximas do aeroporto. E parece que o mesmo se verificou na Ponta do Parco, onde também houve fartura que deu para guardar para pôr na lapinha, para comer e ainda se fez muita cidra. Nos últimos tempos, andou tudo a ferver, um pouco por toda a ilha.
Aqui no Norte, ao falar com as pessoas ligadas estas actividades, noto que aguardam com ansiedade para que a fervura do mosto abrande, que as borras assentem e que chegue o dia de São Martinho, para provar o novo sumo de uvas ou de pêros e assim poder ver o resultado final do seu trabalho é bom ou não.
Faço votos e desejo a todos que o produto seja de óptima qualidade e que as espectativas não sejam defraudadas. Se assim for, bebam com moderação para que dure até á próxima colheita. Caso exista algum azar ou avinagre, não há outro remédio se não, no próximo ano ou logo que tenham oportunidade, rectificar o que fizeram de mal.
Joel Freitas