Está consumada a entrada em vigor do Orçamento de Estado para este ano, documento que irá ainda mais empobrecer os portugueses e que decerto nada irá contribuir para o progresso do país. O Presidente da República, tão descrente como a maioria dos portugueses, resolveu promulgar o diploma com a justificação tão apetecida dos políticos, o interesse do País assim o determinou, embora, como também era previsível, tenha requerido ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva do orçamento. Pergunta-se qual é o interesse nacional? É alimentar os credores que nos exploram e que ditam as leis que devem reger a nossa vida económica, politica e social ou antes é criar condições para que seu povo se sinta feliz e com qualidade de vida muito próxima daquela que usufruem os mesmos credores, direito que nos assiste uma vez que contribuímos com o trabalho e impostos ao nível mais alto, semelhante aos seguidos nos seus países, para tal. Sabemos que temos que honrar os nossos compromissos pagando o que devemos e isso não é posto em causa e nunca foi. Não se pode, é cumprir, custe o que custar, esmagando o povo com cargas brutais de impostos e redução significativa dos rendimentos disponíveis das famílias sem que daí resulte qualquer benefício para o país, uma vez que não há redução efectiva do déficit pois a que existe é artificial e retórica. Este orçamento irá destruir, ainda mais, pequenas e médias empresas, logo teremos mais desemprego, menos receitas, não haverá crescimento económico e continuaremos num ciclo recessivo sem fim à vista. Este orçamento traz-nos desesperança. Este governo não tem condições para dirigir o destino dos portugueses e do país. Crise política! Há muito que está instalada e a coligação está pelas peles como se ousa dizer. Começam os porta-vozes do governo a ameaçar-nos com falta de dinheiro se o orçamento for inconstitucional nas normas suscitadas pelo PR. Há dinheiro para pagar administrações ruinosas dos bancos, veja-se os casos recentes do BPN, e de empresas públicas falidas e só não há dinheiro para ordenados e pensões! Só nos resta lutar pela restauração da nossa dignidade como seres humanos que somos e pela justiça social. A paciência chegou ao fim. Haja coragem. Precisamos de ter.
José Manuel Oliveira