As relações entre o Governo de Passos Coelho e de Alberto João Jardim têm sido pouco transparentes desde o Programa de Ajustamento Económico e financeiro (PAEF). Depois da fase anterior em que o primeiro-ministro, através de Vítor Gaspar, acusou o Governo de Jardim de sonegar informação obrigatória sobre as contas da região às entidades competentes como o INE, criando, deste modo, sérios problemas com a Troika, tudo parece ter amainado e nada se sabe como andam as "contas" do PAEF. Já deveriam ter sido conhecidas três avaliações do PAEF sobre o desempenho do governo da Região Autónoma da Madeira (RAM) neste programa mas, até ao momento, apenas se conhece a primeira. Sem explicação para o silêncio, tenho o direito de questionar: será que isto serve a alguém? Existe a sensação generalizada de que pouco tem sido feito pelo governo regional (GR), exceção às medidas claramente impostas e penalizadoras da população como a subida dos impostos (lembro a garantia do líder madeirense dada ao "Jornal das 8" da TVI, a 18 Novembro de 2011, de que "não aumentaria os impostos na Madeira) ou dos combustíveis para atenuar a não aplicação de portagens ou as taxas moderadoras, com esta ou outra designação, mais os cortes salariais da função pública e das pensões e reformas, cortes comuns a todo o país. Tão manifesta incúria terá certamente leitura política. Contudo, de forma indireta, mas fundamentada, pode afirmar-se que o desempenho do GR tem sido um desastre. Os melhores argumentos que sustentam esta afirmação estão expressos na última síntese da execução orçamental do Ministério das Finanças de dezembro 2012, referente aos primeiros onze meses do ano. Os indicadores económicos do desempenho da RAM destoam, sendo os piores ao nível do País. Em termos da despesa corrente, a Madeira registou um aumento de 7,3% nos primeiros onze meses. Nos Açores houve uma baixa de -11,3%. Na administração local - 5,2% e no Estado, -1,3%. Analisando as componentes que estão na origem destas diferenças de comportamento, na Madeira são as despesas com a aquisição de bens e serviços (que crescem 56,7%) e os juros e outros encargos (47,7%) que suportam esta situação. Nos Açores, a rubrica " aquisição de bens e serviços" decresceu 12,2% enquanto os juros também subiram. Na administração local e no Estado também decresceu a aquisição de bens e serviços e sobem os encargos com os juros. No campo das receitas, apesar dos aumentos substanciais de impostos que incidiram sobre a população madeirense durante o ano de 2012, o IRC e o IRS logo em Janeiro e o IVA só em Abril, apresenta a maior quebra comparada na receita corrente 13,3% sendo o IRC a receita fiscal mais penalizadora pois caiu 21,3%. A nível do OE a tendência também é de queda mas menos acentuada (5,5%). E nos Açores, onde não se processou aumento de impostos a quebra (12,3%), embora elevada, é mais baixa que na Madeira. Citando o documento fica a conclusão: "As duas regiões autónomas continuam a apresentar comportamentos distintos, com um excedente de 53,3 milhões de euros nos Açores e um défice de 127,2 milhões de euros na Madeira".
Lília Bernardes, Jornalista DN nacional, na Madeira