Gaudêncio Figueira Em Março de 2012, neste espaço, escrevi sobre este tema antecipando que no verão - faltavam três meses - teríamos engenheiros a explicar aquilo que, em Março, se pretendia reduzir a um simples roubo de águas. A água distribuída pelo GR é virtual. Distribui-se, no papel, aquilo que não é, fisicamente, lançado no regadio No fim da 2ª guerra a Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidroagrícolas da Madeira, enquadrada na filosofia política vigente, recorrendo ao dinheiro mais barato que os Estados têm ao seu dispor - os impostos - lançou obras que, disponibilizando água, permitiram o aproveitamento de terrenos improdutivos, logo, do interesse das populações. Estado autoritário como era não "brigou" com a população. Definiu uma política e avançou. Reconhecendo na água um bem essencial à vida, manteve, em coexistência pacífica, as levadas privadas activas. Permitiu também que particulares, dentro de certos limites, fizessem distribuição de águas domiciliárias. Não admitiu nunca o Estado Novo que o mundo dos negócios entrasse, avassaladoramente, na comercialização da água. Passados quase 40 anos temos mudanças. Nos primórdios do "pugresso" que hoje temos muitos amigos das populações desprotegidas, não queriam distribuição de água à noite. Só prometer dava votos. Como gostariam os populares de passar noites em claro para regarem com água que se visse no verão de 2012… Confiaram em palavras ocas, as descritas e outras mais, anos a fio. Deu nisto, e mais no que está para vir. Poucos manifestaram interesse por este assunto. A Associação de Agricultores emigrou? Terão os seus dirigentes água de fartura? Os defensores do "pugresso" que não queriam agricultores a regarem de noite que dizem? Pior que tudo aquilo que ficou escrito é que depois da intervenção do Sr. Engº que, tecnicamente, justificou os aumentos de preços não se conhece o pensamento político dos dirigentes. Deveriam, S. Exas. o Sr. Pres. do GR ou o Sr. Sec. Reg. do Ambiente, explicar-nos qual a política da água que adoptam. Vingando, como parece, a óptica dos negócios preparem-se produtores e consumidores porque vão pagar caro. Vão ter que remunerar os capitais investidos, pois então? Aos anónimos "comentadeiros": não me colem ao Dr. Salazar. Nunca aí militei. Tá bem?