A teoria do consenso nada mais é do que o pensamento único em contraste com a teoria da dissidência, pois todos os seres humanos pensam de maneira diferente, e é uma utopia querer calar o pensamento de cada um, pois vivemos num mundo bastante concreto e não num mundo abstracto como alguns pensam. O Prof António Borges, escreveu um artigo para a revista XXI nº 2 da Fundação Francisco Manuel dos santos, em que entre muitas outras coisas diz o seguinte: A grande maioria dos países da Europa do Norte e do Leste que não fazem parte do euro procedem como se fizessem: o euro é para eles uma âncora que lhes permite estabilizar as suas taxas de câmbio, o que esses países fazem com grande mestria, o que significa, a meu ver, que estes países não precisam do euro para nada. Mas a mestria da moeda dos países do norte e do Leste , é preciso afirmá-lo, só é possível relativamente ao euro, porque as suas economias são bastantes competitivas, e no dia que deixarem do o ser, o que pode acontecer, é o mesmo que aconteceu à Argentina quando se ligou ao dólar americano e a fraqueza do peso argentino não aguentou a fortaleza do dólar e foi o desastre total que se conhece no país do tango. Mais adiante, diz, António Borges que, a volatilidade das taxas de câmbio torna a redistribuição das cadeias de valor totalmente ingeríveis. Investimentos, contratos, planeamentos a longo, ficam completamente impossíveis de se poderem concretizar se as taxas de câmbio variarem drasticamente. O Prof . Borges sabe perfeitamente que existem clausulas de salvaguarda entre as partes, nos contratos, que eliminam os riscos de perda associado às suas actividades, nomeadamente as cambiais e as taxas de juro, por isso, estar a defender as taxas de câmbios fixos, contra as flexíveis, demonstra que o Prof. A. Borges pertence ao grupo de pessoas que defendem a coligação pró-euro contra a coligação de pessoas anti-euro, que têm pouco acesso à comunicação social para expor os seus pontos de vista. É preciso dizer e esclarecer que, o método de taxa de câmbio flexível apresenta alguns inconvenientes, que se traduzem no cálculo errado do padrão de vida. Por exemplo, se o valor da moeda de Angola, Brasil etc, desvaloriza em relação ao dólar, o PIB de Angola ou do Brasil, medido em dólares diminuirá. Mas isto não significa diminuição de riqueza da população angolana ou brasileira. Uma coisa é o nível de vida baixar e outra coisa é a desvalorização da moeda (valor da moeda). Segundo. O Prof. Ferreira do Amaral a desvalorização cambial no programa de 1983 foi da ordem dos 20%, mas a queda dos salários reais não chegou a 8%. Uma coisa é a moeda desvalorizar-se, outra é o nível de vida baixar . É falso dizer que, neste caso o nível de vida desceu 20% . Os salários reais com o ajustamento de 1983 desceram cerca de 8% e não 20%, ao contrário do actual ajustamento que chegou a uma baixa salarial superior a 8%. Paul Krugman, numa entrevista ao jornal I de 22/9/2012, disse que, o que trama as nações fracas como Portugal e Espanha é não terem meios para desvalorizar a moeda. O facto de não poderem imprimir dinheiro tornam estes países vulneráveis, mas, imprimir não significa levianamente. Ainda ontem (13/12/2012) o Fed injectou na economia americana mais de 45 mil milhões de euros de dólares de modo a estimular a economia. Mas, infelizmente, o problema do mundo não se resume só a questões de câmbios. É muito mais complexo. O problema foi também os povos e os governos terem acreditado em demasia nos deuses da economia e nos políticos, e vai ser preciso muita força para mudar muita coisa que está mal na política e na economia.

Sérgio Potier