Em 2011, os mercados financeiros internacionais barraram o acesso a Portugal por considerarem que o país apresentava elevado nível de risco. Só foi possível ao país sobreviver a esta situação com o auxílio do apoio financeiro internacional que está assegurado até junho de 2014. Factores como a consolidação orçamental, a diminuição do endividamento externo e a abertura da economia serão fulcrais para que o regresso aos mercados se torne realidade em 2013. Estes indicadores tiveram um bom desempenho em 2012 e, neste momento, o cenário parece favorável uma vez que o risco do país está gradualmente a baixar e, como consequência, aumenta a atractividade para o investimento. Prova do esforço que tem sido feito é o desempenho do défice externo do país que passou de 10,5% do PIB em 2010 para um actual excedente. É evidente que esta correcção só foi alcançada por intermédio da introdução de medidas dolorosas que resultaram numa estagnação do investimento e do consumo, mas que aos olhos de quem nos avalia demonstram um enorme esforço para cumprir com as metas. Prova disso é a recente entrevista da directora geral do FMI que se mostra confiante no sucesso do ajustamento português e que admite estar surpreendida com a determinação aplicada na recuperação. O fim da crise ainda não se vislumbra. No entanto, é importante considerar que o regresso aos mercados internacionais no curto prazo é uma condição essencial para a recuperação económica. E, tal como acontecia à mulher de César, a Portugal não basta ser sério, é preciso parecê-lo.
Pedro Nunes, Economista