Outro ano, outro tempo, mas o sentimento é o mesmo.É no fim de um ano que nos apercebemos de como o tempo passou sem perguntar nada. Pôs-nos factos sobre a mesa,a bem ou a mal. A quem tem mesa. Aos outros pô-los no chão, de onde nada passa. Tantos desejos natalícios. Doze passas não chegaram para tanto pedido. Foi preciso repartir e em vez de pedir em frases simples de duasou mais palavras, fomos pondo vírgulassem fim. Tanta magia. No fim das badaladas e de todo um fogo destronado de esperanças, ocorrem melancolias. Deflagraram incertezas de um futuro e certezasde que fatídicas mudanças iriam ocorrer a partir do primeiro dia. Irónico sem dúvida. O tempo e as circunstâncias que vêm com ele moldaram as pessoas. Algumas tornadas tristes, amargas, arrogantes, (in)conscientes e mais algum etc. qualquer que acrescente características que ninguém gosta de ter, mas que os outros têm sempre. A crise, da qual ninguém sabe de que matéria é feita, entrou pelas casas sem bater, acomodou-se nos sofás e sentou-se à mesa. Torno a salientar… de quem tem casa, porta, sofás e mesas para oferecer à Sr.ª Crise. Palavra cuja culpa tem muitos rostos. Tornou-se companhia diária, pontualmente presente como omnipotência e como parasita foi retirando àquelas coisas que ainda se chamam 'pessoas', os materiais, as fés, as crenças e as esperanças. Eis aqui corpos inertes, frutos dos tempos austeros e estéreis. Eis o homem tornado quase bicho, desumanizado. O Homem sem Humanidade não é Homem. É nada. É coisa sem espírito.
Fernanda Castro, Colaboradora AAUMa