António Ferreira A 4 de Janeiro de 2013, José António G. de Freitas, escreveu uma pequena nota em formato epistolar a Cristiano Ronaldo. A minha reação inicial foi impulsiva, não gosto nada do chorrilho de banalidades que são ditas sobre Cristiano Ronaldo. Devo, todavia, pedir perdão ao autor da carta. Depois de ler a carta com reflexão percebi que havia uma certa bonomia na missiva. É certo, caro José António G. de Freitas, que a sua carta não é minimamente ofensiva ou repulsiva, mas peço encarecidamente que compreenda a minha erupção inicial de raiva, basta ler alguns comentários para compreender isto. Houve um honrado cidadão anónimo que acusou sem nenhum chá que Cristiano Ronaldo não tem chá nenhum, um pouco como faz o Dr. Alberto João Jardim com os seus adversários, numa cascata de rafeiradas, o nosso ilustre presidente chama de rafeiros os seus adversários. É uma tradição regional, sobre a capa do anonimato ou insignificância, dizer as piores coisas sobre os outros. Esqueçamos, porém, estes pequenos pormenores, meu caro. O que pretendo é tentar explicar o pequeno erro que cometeu ao escrever a sua carta. O meu discernimento é pequeno e modesto, não quero que pense o contrário, não pense que sou arrogante ou soberbo. Não sou, nem nunca serei. Penso diferente, é basicamente isto e só isto. Nada mais. Começo assim por dizer que acusar Cristiano Ronaldo de arrogância é uma acusação muito infeliz. Acusar Cristiano Ronaldo de rejeitar os madeirenses ainda mais. Depois, não há nenhuma razão para os madeirenses sentirem-se rejeitados por este homem. Cristiano Ronaldo nunca escondeu as suas origens, não virou as costas à sua família (que eu acho absolutamente pindérica). Não o fez, e isto é uma atitude de uma dignidade incomensurável. Ser madeirense nunca ajudou Cristiano Ronaldo, nem sequer no tempo em que era o "Semilha" para os seus colegas em Lisboa. Nem depois disto, nem agora que está no Real Madrid. Lembro que se Cristiano Ronaldo nascesse no Porto, não seria só admirado, como respeitado e venerado, e não seria uma veneração oca, seria um respeito com imenso afecto, algo que os madeirenses nunca proporcionarão. Os madeirenses dão afecto a figuras idiotas como Dr. Alberto João Jardim, que é esperto, engraçado e paspalho. Os madeirenses não apreciam o mérito, o esforço e o sacrifício pessoal de Cristiano Ronaldo. Para além disto, Cristiano Ronaldo, não é verdadeiramente arrogante, há mais arrogância no ranho de Francisco Louçã do que em todo o corpo de CR7. Pergunte a quem sabe, há uma infinidade de figuras com aquela arrogância rasca e snobe, mas ninguém dá importância a isso, como se a arrogância de alguns fosse respeitável, e a do "Semilha" repugnante. Eu acompanho Cristiano Ronaldo há algum tempo, presto atenção às suas declarações, às suas entrevistas e às historietas paralelas. Cristiano Ronaldo tem uma filosofia, ele é diferente de muitos jogadores de futebol, e isto nem sempre colhe simpatias. É uma filosofia muito simples na superficialidade, mas muito complexa no âmago: "eu sou isto, eu quero ser o melhor nisto, mesmo que me odeiem, vou continuar. Eu sou isto, e ser outra coisa, é a pior traição que posso fazer a mim próprio." O homem trabalha com enorme dedicação, esforço e sacrifício. Ele não é espontâneo e natural como o Messi. Ele dá o seu melhor e para ser o melhor, precisa de concentração e um esforço sobre-humano para conseguir os seus objectivos. Não consigo imaginar nenhuma atitude mais digna e merecedora de respeito. A coragem de continuar, mesmo com pequenos milhões de ódios, é algo que admiro. O facto de CR7 ter conseguido isto, apesar de ser madeirense, enche-me também de orgulho. Espero, meu caro, que compreenda a minha perspectiva. Aproveito para dedicar um abraço fraterno para si, porque quer receber o CR7 de volta com os braços abertos, e dedico outro abraço a CR7.