Severino Olim Na primeira oitava de Natal tenho por habito visitar o maior numero de presépios quer aqueles que tradicionalmente são construídos dentro das igrejas quer os que decoram artisticamente praças e outros espaços de vários municípios da Região. Todos os que visitei merecem o meu apreço e minha consideração pelas várias horas ou dias de trabalho a fio necessárias para que dos trocos nus, do musgos, das pedras e das flores se recriasse o tempo e o espaço da festa das celebrações do nascimento do menino. Nesta viagem senti a necessidade de repetir a visita ao presépio da comunidade da Ribeira Seca. Um presépio que se notabiliza pela diferença da sua mensagem, pela simplicidade dos materiais utilizados e pela grandeza de vontade dos seus construtores, a juventude desta comunidade. Alí, no palco aberto do adro da igreja deparamo-nos com a sagrada família no fundo do núcleo de uma estrela emanando luz pelos cinco vértices que traduz o abraço fraterno e de esperança desta comunidade aos excluídos e marginalizados dos cinco continentes. É sem duvida uma mensagem forte de grande engenho de pensamento, sustentada pela magia das tonalidades dos ramos de palmeira que distribuídos uniformemente em todas as direções emprestam um colorido filosófico e poético que, por ventura, nem o talentoso arquiteto Óscar Niemeyer que, nos deixou recentemente, se arriscaria a construir na moldagem do betão. Sente-se que da profundidade, do amago daquela estrela brota uma cândida frescura de Paz, uma verdade única e um amor incondicional daquela família de Nazaré que se abre ao mundo em facho e irradia para todos os lados a força da vida e a perenidade da esperança a centenas de famílias madeirenses e de todo o Pais que se encontram, neste momento, no flagelo do desemprego, nas listas das farmácias, nas relações das cantinas sociais e no cadastro desconhecido de um sem numero de idosos que vivem numa solidão encurralada pelo peso da idade e por politicas injustas que os atiram, cada vez mais, para o lixão da pobreza envergonhada. Sente-se ainda a firmeza e o conforto de estarmos a pisar um chão que acolheu neste ultimo ano personalidades nacionais e internacionais da cultura, da investigação teológica, da musica e da arte e, sobretudo, um chão calejado de historias que atravessam gerações ao ritmo de musicas e de canções que falam de um povo que faz da aurora de cada dia um Natal sempre em construção. É este o presépio que despretensiosamente aqui destaco, aquele que mais me falou da essência do Natal e que impulsiona qualquer pessoa para o ano novo mais tranquilo e com mais serenidade para o confronto dos desafios de 2013. Aos jovens e aos adultos da comunidade da Ribeira Seca responsáveis por este presépio deixo esta minha homenagem de apreço e de reconhecimento pela vossa criatividade e mensagem que nos transmitem, especialmente a todos àqueles que nestas próximas noites calmas e de festas de reis seguirão a estrela até o seu imperdível encontro.