Quando se fala de futebol profissional em Portugal, parece que se fala de uma qualquer coisa que nada tem a ver com o país que somos. Um país abalado por uma das maiores crises da sua história, económica e financeira, em que a população empobrece, em que o desemprego alastra e onde, todos os dias, uma empresa fecha. Sendo assim, por carga de água haveria o futebol ser diferente? A maioria dos clubes em Portugal não vive, sobrevive. À excepção de Benfica e FC Porto, com uns (quase) obscenos orçamentos para a realidade lusitana, jogando um campeonato à parte, a que nem o Braga e o Sporting têm possibilidades de desafiar, os restantes clubes da nossa Liga mitigam o que resta, cada vez com menos receitas para cobrir as despesas, mesmo que alguns com uma ginástica de fazer inveja, originando uma competição profundamente desequilibrada (equilibrada, isso sim, mas por baixo), perspectivando-se para breve situações de incumprimento a todos os níveis. Com a Liga a ver! Na Madeira, duplamente penalizada pelo plano de resgate ao Continente, as coisas não são, muito naturalmente, melhores. Bem pelo contrário. A recente entrevista do presidente do Nacional ao programa Prolongamento, da RTPM, mostrando um dirigente menos exuberante do habitual, comprova, contudo, a ideia de quem parece de costas voltadas para os problemas de toda uma região que não se circunscrevem unicamente ao futebol profissional. As politicas megalómanas de crescimento, pese embora a obra feita, mas em base pouco sustentada sob o ponto de vista social, pagam-se caro. Há problemas conhecidos, os mais recentes relativos a problemas fiscais e ao caso Ruben Micael. O Marítimo mergulha também em situações difíceis, financeiras e de contencioso fiscal, com um um estádio inacabado, mas sustentado numa massa critica e social, quiçá, a lhe permitir sobreviver mais no tempo, se, entretanto, nada mudar na politica regional. Ou se não aparecer por aí um MessIas salvador. Uma coisa o presidente do Nacional tem razão: será utopia agora exigir-se, por parte da comunicação social e dos adeptos, a Europa a Marítimo e Nacional. Os adeptos, e neste caso parece que os do Marítimo já interiorizaram isso, terão de habituar-se a novos tempos. Por agora alcançar a Europa não é uma miragem para Marítimo e Nacional. Mas, muito em breve, leia-se, já na próxima temporada, provavelmente os objectivos e ambições serão obrigatoriamente repensados. Se, entretanto, todos sobreviverem à tempestade.

Emanuel Rosa, Repórter