Passar das marcas é exceder o que é considerado razoável. E nessa vertente alguns madeirenses ou aqueles que a têm no coração dão cartas, embora nem sempre pela irreverência ou ousadia, talento ou ideias. Os eleitos da semana são:

Vítor Gaspar - Num ano de aperto, o ministério das Finanças falhou três avaliações ao plano de resgate que tenta remediar as finanças da Madeira. Se é certo que nem tudo vai ao mercado ou à feira de usados, a discriminação, por muito pedagógica que seja, é abusiva. Um bom professor deve dar notas a tempo e horas, mesmo que o aluno mereça ‘chumbar’ ou, como parece ser o caso, só tenha preenchido o espaço reservado à assinatura.

Ventura Garcês - Com que então as facturas escondidas, responsáveis pela dupla austeridade imposta, ao crescente número de insolvências e desemprego resultam de um problema informático? Não será antes caso de manifesta infoexclusão? Se o contribuinte faltoso alegar desculpas do género perante os inspectores do fisco safa-se?

Jaime Ramos – “Chulo”, “vadio” e “bufo”. Foi com tamanha artilharia verbal que o perito em ‘lapsos’ despachou uma recomendação de agendamento. Mesmo que tenha razão, um líder parlamentar que atribui epítetos desta envergadura a um dos seus companheiros de bancada só tem um caminho a seguir: demitir-se, antes que seja corrido. Por ser cúmplice da chulice, da vadiagem e da bufaria.

Miguel de Sousa - Se Jardim tem a folha de serviço de 2013 já preenchida e exposta no seu gabinete de trabalho porque é que um deputado por si convidado não pode gozar de vantagem semelhante? A provocação destemida caiu que nem bomba num partido habituado a gerir com cautelas as sensibilidades dos poderosos. Se for consequente e voltar ao plenário é sinal de que venceu a batalha que deixará marcas e baixas!.

Alberto João Jardim – ‘Os insultos de Ramos’ não é nome de filme. Portanto, escusa de dizer “nunca vi nada disso” que a cena é bem real, tem testemunhas e a esta hora já devia ter sido depurada. Como é hábito, sempre que a temperatura política sobe, surge uma estratégica ida a Bruxelas. Se ao menos o povo ganhasse com as dispendiosas excursões.

Muitos outros passaram das marcas. Os que aceleram sem noção do perigo provocando o terror em plena via rápida. Os que tentam disfarçar problemas sociais com discursos políticos banais. Mas também D. Teodoro Faria, que continua a fazer mais enquanto bispo emérito do que António Carrilho como titular. Cristiano Ronaldo, que acaba de marcar mais de 300 golos por clubes, e continua a ser motivo de orgulho insular, tal como o verde-rubro Heldon, que leva Cabo Verde aos quartos-de-final da CAN 2013. Preocupante é o mosquito ‘Aedes’, que se apresta para uma volta à ilha em ano de autárquicas. Já foi visto nas costas de baixo, consta que a morder o esquema. Será que o insecto cosmopolita, a exemplo dos grandes da cidade, apenas procura casa de fim-de-semana?

Enquanto uns passam das marcas, outros passam vergonha. Onde andam os jornalistas russos que faltaram à cerimónia de entronização do virtuoso Danny na trémula confraria do Vinho Madeira? Temem pela vida ou desconfiam que os 'rambos' insulares desatem aos insultos? Se é certo que ninguém de juízo arrisca questionar quem quer que seja entre pipas e um ‘meio seco’ com teor alcoólico generoso, convinha explicar o que falhou nesta suposta operação de promoção.