Até 2011 o mês de janeiro era dedicado à contratação colectiva. Mesmo que as negociações dos contratos não terminassem nesse mês, era garantido, por acordo das partes, que os aumentos salariais teriam sempre efeitos retroativos a Janeiro e assim os salários aumentavam um pouco em cada ano. É claro que o aumento do Salário Mínimo Nacional tinha também um efeito positivo sobre a contratação assim como nas prestações sociais nomeadamente reformas e subsídio de desemprego. A partir de 2012 esta situação inverteu-se, as negociações salariais foram congeladas e pela primeira vez não ouve aumento do SMN. Neste Janeiro que está a findar, devido ao brutal aumento de impostos decretados pelo governo, as pessoas ainda vão receber menos do que recebiam o ano passado. Quem em 2012 ganhava um salário ilíquido de 643, 00E e recebia 568, 00E agora vai receber 552, 00E, menos 16 euros por mês, do que no ano anterior e a inflação, dizem eles, já vai em 2,5%. Um/a desempregada/a que recebia uma prestação de 419, 00E em Janeiro já sofreu um corte de menos 25,00E. Um jovem desempregado de 24 anos e que recebia 409, 00E passa a receber 384, 00E 0 que quer dizer menos 24 euros por mês e quando fizer 6 meses que está desempregado ainda apanha mais um corte de 10%. É claro que se tivesse havido aumento do salário mínimo estes montantes teriam sido alterados, mas isso eles não quiseram porque defendem a todo o custo o empobrecimento geral das e dos portugueses. Os reformados ainda não sabem o que vão receber, só para Fevereiro é que vão ver no concreto, mas os aumentos que foram feitos aos pensionistas com pensões mais baixas são ridículos, por ex: uma pensionista com uma pensão de sobrevivência no valor mensal de 140, 69 recebeu um aumento para 142, 24 o que dá apenas mais 1, 55E por mês e chamam a isto solidariedade social. Estamos em ALERTA VERMELHO. Nunca isto tinha acontecido no Portugal de Abril. Temos o maior número de pessoas sem trabalho e sem rendimentos. Temos as conquistas sociais a serem delapidadas por estas políticas da direita chauvinista que parece querer ajustar contas com Abril para voltar ao antigamente dos muito ricos e dos muito pobres. Quando o desemprego na Madeira deu sinais de crescimento sem parar os governantes passavam a vida a desmentir quem dizia que a situação estava a ficar perigosa e que era preciso tomar medidas. Agora não basta vir dizer que os 24 mil desempregados lhes tiram o sono porque já é tarde para arrependimentos balofos sem alternativa real para acudir a esta desgraça. Coitadas das famílias que atravessam situações de aflição muito grandes para fazerem face às necessidades da sobrevivência. Para endireitar este País e esta Região era preciso apostar em outro tipo de políticas e de políticos. Fazer uma rigorosa investigação à real situação em que vivemos e introduzir um conjunto de medidas de emergência social e económica que colocassem os verdadeiros ricos a pagar mais impostos, dessem resposta aos mais necessitados, valorizassem o trabalho, respeitassem os reformados, apostassem no emprego jovem e respeitassem os direitos sociais fundamentais como a saúde e a educação. Para que isto possa ser feito é fundamental renegociar a divida, separando a pública da privada, alargando o seu prazo de pagamento, reduzindo os juros e procurando apoios para fazer crescer a economia com a criação de postos de trabalho. Não é com o brutal aumento de impostos sobre os rendimentos do trabalho e dos reformados que Portugal vai sair da crise, pelo contrário a espiral recessiva vai aumentar ainda mais. O povo tem que abrir os olhos e exigir mudanças e os que podem participar na mudança não podem continuar a pensar que quanto pior estiver o povo mais fácil será para eles conquistarem o poder. A mudança tem que ser corajosa e a sério antes que seja tarde de mais. A contestação é importante mas na hora de tomar as decisões o povo não pode continuar a legitimar quem está a levar os habitantes deste País e desta Região à falência.

Guida Vieira