Nota da Autora: esta entrevista é pura ficção e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Eu: Sabe a que se destina esta entrevista? Único Importante: Sim, quer tentar derrubar-me através da elucidação das pessoas… Eu: Acha que vou conseguir? UI: Não. As pessoas da ilha estão treinadas para ter medo do desconhecido. Esta é a primeira democracia em que vivem depois de uma ditadura de 40 anos, e ainda não perceberam que a minha "democracia" é a forma mais perfeita de ditadura que existe. Eu instigo contra o inimigo externo, o colonialismo, os ingleses, a maçonaria, e a coisa vai funcionando… Eu: Quando é que acha que as coisas vão tomar outro rumo? UI: Não são os ideais que fazem as revoluções, é a necessidade! As pessoas só vão fazer o que espera que elas façam quando estiverem com fome. Eu: Isso está muito perto de acontecer. Como é que conseguiu endividar tanta gente e ganhar eleições durante 30 anos? UI: Muito fácil. Através do Estado propaganda. Pus esta gente toda a financiar as minhas campanhas, através das obras públicas inauguradas em véspera de eleições e, claro está, ficaram a pensar que era o PSD-M quem lhes oferecia as estradas. Depois passei a distribuir "gratuitamente" um jornal que custa milhões de euros ao contribuinte e que trata de me lamber a imagem! Eu: Mas, hoje, as pessoas têm consciência do quanto devem e porque é que devem… UI: Não, não têm. Aposto que a sua vizinha não sabe que na casa dela cada pessoa tem uma dívida de 34 mil euros, provocada por mim, e que vai pagar em impostos quer queira e possa, quer não. Eu: E esse dinheiro foi todo para obras? UI: Não seja ingénua, saiba que metade da riqueza do mundo está nas mãos de 1% da população, e a ilha não é excepção. Do meu lado tenho a maior minoria que existe... Os homens são como os gatos, há que lhes dar um pouco de comer para que se afeiçoem à gente. E os meus amigos não ficaram ricos por serem católicos… Eu: Então não conseguiu dar a "volta à ilha" toda? UI: Bem, a toda toda não. Apesar de ter apanhado boleia da desordem da oposição, tive de contornar muitos obstáculos. Não sei se me entende… Nem toda a gente se vende por dinheiro. A algumas pessoas cortei a raiz do pensamento, a outras roubei-lhes o património e chamei-os fascistas!
Rubina Sequeira, Advogada