Onde pertenço? Embora evidente, esta pergunta poderá tornar-se numa das mais difusas das próximas décadas. A questão é simples: Desde dos anos 90, com as alterações geopolíticas na Europa, assistiu-se ao aumento de uma consciência supranacional. A ideia de um grupo transfronteiriço, económico e sociocultural tornou-se objeto de uma educação de sublimação do sentimento identitário europeísta assente na junção dos povos, através da relativização das diferenças e do engrandecer das semelhanças. Mas, como reza o conto, em tempos críticos como o atual, acentuam-se apenas as diferenças como práticas assentes no domínio do erro. Nessa perspetiva, torna-se necessária para as diversas esferas políticas europeias a imposição de um sentimento comunitário hipertrofiado onde, através do apagamento forçado de referências culturais e identitárias, busca-se o papel-químico de um estatuto que agrada apenas a outros. Neste caminho, tornamo-nos num País com uma cultura de 'Palimpsesto', disposto a ser "reescrito" sempre que necessário, colocando de lado qualquer referência cultural e identitária que possa mostrar-se um entrave às necessidades de uma conjuntura penosa. Infelizmente, este paradigma encaminha as gerações mais novas para um degenerar do sentimento de pertença. A força de mudança e de inovação necessária é deslocada, encarando que nesta conjuntura nada acontecerá! Apenas são-nos capazes de mostrar que somos sujeitos de outrem! Sujeitos de um desejo e de uma subjetividade que não reconhecemos. Sujeitos de um País que não nos mostra o caminho de retorno.
Diogo Gonçalves, Colaborador da AAUMa