No momento difícil em que nos encontramos, sucedem-se os relatórios de entidades externas, pretendendo introduzir no País mais medidas de austeridade e um novo modelo de organização social. Apesar do fracasso das medidas até aqui implementadas surge inesperadamente um plano para reduzir quatro mil milhões de euros na despesa do estado, colocando em causa funções sociais como a educação, a saúde e a segurança social. Nos últimos dias assistiu-se a um ciclo de debates sobre as áreas sociais do estado visando, numa apressada reflexão sobre o estado que temos, criar opinião, para fundamentar as alterações com que o governo pretende legitimar um novo modelo social. No setor da saúde destaco a intervenção do Ministro da Saúde na passada semana no debate que decorreu no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica do Porto. Dizia então o ministro " A reflexão de hoje, bem pertinente no seu momento também porque o sistema de saúde tem de mudar para ser melhor, conduz-nos a avaliar a enfermagem que temos, a que queremos e a de que Portugal precisa. Os utilizadores das nossas instituições de saúde confiam nos profissionais de saúde e todos eles, incluindo os enfermeiros, têm merecido esta confiança. O papel da profissão de enfermagem é essencial para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Ao mesmo tempo que é necessário proceder à desospitalização do sistema de saúde, é necessário assegurar um papel mais relevante da profissão de enfermagem no planeamento de cuidados e gestão da doença crónica na comunidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os enfermeiros de família podem ajudar indivíduos e famílias a lidar com a doença e incapacidade crónica ou períodos de stress ou de maior vulnerabilidade, dedicando grande parte do seu tempo ao acompanhamento dos doentes e suas famílias nas suas habitações. Estes enfermeiros prestam aconselhamento em áreas tão diversas como estilos de vida e fatores de risco comportamentais, bem como assistem as famílias em questões relativas à sua saúde. Através da rápida deteção, estes profissionais podem assegurar que os problemas de saúde das famílias são tratados numa fase precoce. Estes profissionais podem, de facto, agir como o eixo entre a família e o médico de família, substituindo o médico quando as necessidades identificadas são mais relevantes para a especialidade de enfermagem. A legislação reconhece a função relevante da enfermagem. O funcionamento do sistema de saúde depende da sua dedicação, da sua preparação científica e do seu empenho profissional. Todos sabemos o que as enfermeiras e os enfermeiros de Portugal nos têm dado. São permanentes na presença. Estão sempre disponíveis. Asseguram a continuidade dos serviços. São responsáveis. Personalizam a imagem das instituições. Numa palavra, são próximos de quem deles precisa". Nesta sequência a Organização Mundial de Saúde á muito tempo vêm referindo que os enfermeiros são os profissionais que pela formação específica e aptidão que possuem, estão melhor colocados para avaliar as necessidades em saúde dos utentes e das famílias, mobilizando todos os recursos em função da situação do utente, adequando e rentabilizando os meios disponíveis. Para um melhor serviço de saúde, é fundamental passar da teoria à prática, dinamizando nos diferentes contextos as competências gerais e especificas dos enfermeiros.
Juan Carvalho