O treinador português José Mourinho conseguiu provocar quase todas as condições para voltar a ter sucesso. À sua maneira. Em Espanha também não há meio termo em relação ao treinador do Real Madrid: ou gostam ou odeiam. E Mourinho adora este estado de coisas. Apesar da enorme vantagem que o Barcelona já leva sobre os brancos de Madrid, na principal prova interna, a verdade é que Mourinho ainda tem muito para ganhar. E sair, literalmente, por cima, como sempre tem feito em todos os clubes onde deixou títulos. Mesmo assim, com tudo a correr mal, com jogadores a renderem 25 por cento do rendiam na época passada e com o Barcelona sempre a ganhar, Mourinho não escolheu o caminho mais fácil. Puxou dos galões e assumiu as suas responsabilidades que, como os bons treinadores sabem, não se restringem a apaparicar jogadores em público. Primeiro pôs Casillas no banco, porque o guarda-redes espanhol julgava que intocáveis eram ele e Deus Nosso Senhor. Com a agravante de andar a apanhar golos atrás de golos e a sua suposta categoria não se converter em pontos. Depois provocou uma monumental briga com o jornal Marca, o que lhe vai continuar a custar aquilo que está a ver todos os dias: uma campanha para pô-lo fora do clube. Creio que Mourinho até lhes vai fazer a vontade: ganha mais uma Liga dos Campeões e quando estiverem à procura para fotografá-lo com a taça, o português já apanhou o avião para o próximo clube... Seguiram-se as reprimendas a Di Maria e a Cristiano Ronaldo, a dois tempos. Ao argentino, Mourinho espicaçou da única maneira que o poderia despertar. Ao craque português, o treinador disse aquilo que eu também diria depois da sua actuação apagadíssima no primeiro jogo com o Valencia. Ronaldo nunca poderia responder o que respondeu e até já pediu desculpas: é verdade que tem sido o abono daquela equipa, é verdade que tem defendido o treinador como ninguém, mas isso não lhe dá imunidade perante uma má exibição, felizmente coisa rara, e sobretudo perante um raspanete pedagógico do líder da equipa. O mais importante é o que se seguiu a cada um dos episódios: Casillas baixou à terra e já defende alguma coisa – agora lesionou-se! –, Di Maria retornou ao seu melhor nível e Cristiano, que de facto dispensa estes incentivos, reencontrou-se muito rapidamente. E pronto, aí temos o Real Madrid pronto para o que resta da época, com a Liga dos Campeões como objectivo principal. Mourinho voltará a dar cartas! Casillas e Sérgio Ramos nem precisam fazer mais birras, porque o treinador português vai mesmo embora, mas ao seu estilo: deixando troféus com que outros possam posar para a fotografia.