Sérgio Potier A maioria das pessoas tem tendência para acusarem os governos de serem os responsáveis pelas crises, e alguns políticos que outrora se proclamaram seguidores da escola keynesiana , resolveram saltar a barreira, por oportunismo político, e passarem a defender a doutrina da escola austríaca (Mises/Hayek). É preciso dizer que, se os governos tiveram culpas no cartório, (mas mais os bancos centrais) relativamente à recente crise, não é menos verdade que os bancos não se podem eximir de responsabilidades. Mesmo o BCE não foi capaz de isolar e proteger a Europa da grande expansão crediticia em flagrante incumprimento pelo tratado de Maastricht permitindo que a massa monetária (a M3) crescesse para níveis superiores a 9%/ano, muito acima dos objectivos dos 4,5% do crescimento monetário estabelecido na tratado, em que os países periféricos viram crescer desproporcionamente os seus agregados monetários, por exemplo, relativamente à Alemanha e à França, entre 3 a 4 vezes mais, na medida em que, a pressão destes 2 países obrigaram a que a política monetária não fosse durante anos demasiado restritiva para eles. Não quero com isto dizer que, os governos não tivesses por obrigação dar instruções determinantes aos seus representantes no conselho do BCE para que cumprissem o que estava no tratado. Não. O que quero dizer, é que, os bancos na sua generalidade, com esta elasticidade crediticia fomentaram uma bolha e criaram um hiato de financiamento, dado que os bancos emprestam ciclicamente muito mais do que têm em depósito, e muitas vezes, os governos entusiasmados pelo crescimento económico e bem estar das populações, e com o objectivo de atingir o pleno emprego, gerado pela expansão crediticia, esquecem-se de colocar um travão no ciclo, função, como disse atrás, que cabe mais aos bancos centrais. Hoje em dia, quem manda nos países são os grandes investidores nacionais, entre eles a banca e não os políticos, já que, os investidores ao comprarem ou deixarem de adquirir dividas soberanas, é que ditam o destino dos países, ou seja, são eles que nos obrigam a estas reformas estruturais muito duras. Quando se diz que os países têm de voltar aos mercados (apesar de não ser contra a divida, excepto a excessiva) para pagar outras dividas, isso acontece porque não há crescimento económico. Uma economia não pode estar sujeita aos vaivéns da expansão crediticia, o que deve fazer é durante os anos de expansão fechar os orçamentos com superavites mais elevados para contrair menos divida. Henry Ford, dizia no seu tempo que, se o povo americano tivesse consciência do que se passava na banca, no dia seguinte havia uma revolução nos EUA. Talvez um dia se escreva a história de outro modo sobre banca relativamente à crise de 2008, como afirmou recentemente um dos maiores banqueiros da nossa praça.