É muito frequente em política, e noutros sectores, esconder a verdade, ou mesmo dizer inverdades para justificar erros de governação ou de capacidade para resolver os problemas dos cidadãos. Se analisarmos o que se tem passado neste Arquipélago, em especial depois da revolução dos cravos, facilmente encontraremos justificação para a frase que abre este texto. Terra onde a culpa morre sempre solteira, sem responsáveis capazes de assumir os seus próprios erros e procurando justificações onde elas não existem, chegando mesmo a ocultar a própria verdade ou mesmo faltando a ela. É frequente ouvirmos (i)responsáveis se justificarem, quer em termos políticos, quer em termos técnicos, quer em termos religiosos com uma série de outros erros ou inverdades, responsabilizando quem não deviam. Outros procuram justificações para o poder que lhes dá tacho, protecção, favores, oportunidades e até dinheiro, nessas mesmas inverdades. Desde que este governo de Passos Coelho e Paulo Portas tomou posse parece que essas situações têm aumentado e também o numero de intervenientes. Sabemos que o governo Regional está totalmente de cócoras perante um Gaspar que nada perdoa e que cada vez exige mais dos madeirenses, tornando-se o pior Governo da República para a Madeira desde o 25 de Abril. Nunca os madeirenses sofreram tanto como com este 1º ministro e seus apoiantes. Dois partidos, PSD/M e CDS/M que tentam a todo o custo justificar o injustificável para tentar cativar madeirenses para as suas hostes. Os seus responsáveis deturpam e escondem a verdade e sempre que cada um fala, ficámos logo de orelhas no ar para vermos o que vai sair. Como ainda ontem dizia um padre madeirense sempre preocupado com as situações de espezinhamento do nosso povo, o grande responsável por tudo isto, é o rei Sol, Luis XIV da França. Como é tão fácil justificar os erros, cuspindo no prato em que comeram!!! Se analisarmos o que se passou na Madeira, verificamos que foram os governos do PSD que mais maltrataram o povo madeirense. Veja-se o que Cavaco e Silva fez: Obrigou as Camaras Municipais da Madeira a se endividarem através do tal programa de reequilíbrio financeiro, cortou verbas para a Região, acabou com o sistema produtivo em todo o Portugal, abatendo barcos, fechando fábricas e dando apoios para o abandono dos campos, em vez de os modernizar… Seguiu-se o António Guterres que pagou grande parte da dívida da Região, financiou ou conseguiu financiamentos para grandes obras e também para o Serviço Regional (exemplar) de saúde. Eu próprio colaborei com essas decisões, provocando reuniões em Lisboa com diversos Ministros e Secretários de Estado. Recordo-me por exemplo da criação da Loja do Cidadão. Sem dúvida que foi um período áureo para a Região com a sua obra mais emblemática: A ampliação do Aeroporto do Madeira. Mas ainda hoje ouvimos senhores do governo e do PSD/Madeira, a tentar responsabilizar o homem que mais apoiou a Madeira, inclusivamente apresentou a melhor proposta de alteração da Lei das Finanças Regionais, que o governo Regional recusou: António Guterres, com as tais inverdades do costume. Depois foi aquele período muito confuso com Durão Barroso e depois Santana Lopes que mais prometeram do que, na realidade, apoiaram. Chegamos ao "grande culpado" por tudo aquilo que aconteceu na Madeira nos últimos tempos. É ele que paga todas as favas. A incompetência virou a culpa para cima dos outros. Tudo estava de tal maneira que se tornou fácil perceber o caos em que se encontrava m as contas públicas na Madeira. Um verdadeiro desastre e por isso resolveu alterar a Lei das Finanças Regionais, controlando mais o poder regional, mas sem tirar nada que pertencesse à Madeira. Tudo o que era cobrado cá, cá ficava. As inverdades foram aparecendo numa tentativa de esconder todos os buracos das finanças públicas. Faltou-se à verdade em relação às nossas contas, até que aconteceu o 20 de Fevereiro de 2010 e logo surgiu toda a solidariedade possível do governo liderado pelo Eng. Sócrates, que rapidamente se deslocou à Madeira para se inteirar "in loco" da catástrofe e foi criada a lei de meios que serviu para financiar grande parte das obras de recuperação e não só. Durante algum tempo o poder regional mostrou gratidão pela atitude daquele governante e chegou mesmo a falar verdade. O governo da República mudou, para uma coligação do PSD e do CDS e a desgraça caiu em cima dos madeirenses porque o governo regional, não falou verdade, omitiu verbas, omitiu dívidas e o buraco foi descoberto. A Autonomia sofreu um grande abalo com Passos Coelho, Portas e Gaspar que vergaram os nossos governantes até ficarem de cócoras. Tanta vitalidade perdida. Acabaram-se as reclamações e temporariamente calaram-se até que nos tiraram tudo: aumentaram todos os impostos na Madeira ( IVA, IRS, IRC e o Imposto sobre os combustíveis, passando os madeirenses a pagar a gasolina mais cara da Europa; tiraram-nos receitas que passaram para os cofres de Lisboa, inclusivamente o imposto que extraordinário de 3,5%, sob forma de IRS; retiraram os subsidio de insularidade aos funcionários públicos e obrigaram a diminuir o seu número; os serviços dependentes do governo regional aumentaram 15%; diminuíram as transferências para a Região, etc….tudo isto para o Governo Regional pagar a sua divida, sem que houvesse o mínimo de solidariedade do Governo da Republica. O Governo Regional fez as asneiras e quem paga é o povo, duplamente, porque paga a austeridade de cá e a de lá. E sabem mais, como não podem se atirar ao actual governo de lá, a virilidade foi perdida porque têm medo, voltam às inverdades em força acusando um dos primeiros ministros que mais ajudou os madeirenses…Que ingratidão!!! PS. Tenho pena da falta de nível dos actuais políticos que recorrem às inverdades, para defenderem a sua cobardia e a sua incompetência…
Duarte Caldeira Ferreira