José António G. de Freitas Tu, actual desempregado que já foste um profissional competente, que sempre cumpriste com as tuas obrigações, que chegaste sempre a horas ao emprego, que desenvolveste sempre as tuas tarefas com zelo, dedicação, e que viveste os problemas da empresa, da escola,ou de outro do organismo onde trabalhaste, que muitas vezes, de madrugada, acordaste a pensar no trabalho. Tu, que sempre descontaste do teu ordenado a favor do estado, os impostos , contribuições, pagaste ainda mais impostos nas tuas despesas normais ; iva, Imposto de selo , imi, imposto de circulação, etc. Tu, que que tiveste de abandonar o sonho de teres uma casa , de garantires o teu conforto na velhice Tu, que tiveste de olhar para o filho, bom aluno, e dizer que vai ter de abandonar a faculdade, porque não podes pagar-lhe os estudos. Tu que não fizeste férias fora, que raramente jantaste em restaurantes,e nunca vestiste roupas caras. Como podes aceitar que venham dizer que vivemos todos acima das nossas possiblidades? Como podes aceitar que digam que a produtividade é baixa ? Como podes aceitar que digam que o estado social tem de acabar ou de ser reduzido drasticamente, quando nem um dia de baixa tiveste? Tu que sempre votaste e acreditaste nos governantes, nas promessas eleitorais, e que depois se voltaram contra ti, Tens razão quando dizes que não contribuiste para este estado da nação. Não foste tu, que negociaste estádios, submarinos, auto estradas, marinas, piscinas e outras obras megalómonas públicas, que nos levaram ao fundo. Sim, porque o país está de rastos, falido, e completamente individado, mas... os governantes , os ex- governantes , assessores, da era democrática após o 25 de abril, esses, não sentem as dificuldades, não lhes falta nada, não perdem empregos. Os mesmos que hoje dão entrevistas...e que arrotam sabedoria, experiência... e muita inconsciência!