A Região Autónoma da Madeira vê-se hoje confrontada com uma taxa de desemprego jovem, que ronda os 50%. Somos a Região do país com a maior taxa de desemprego jovem, em que um em cada dois jovens encontra-se desempregado. Esta é uma situação deveras preocupante para a juventude madeirense. A incerteza e a instabilidade são constantes com as quais todos os jovens têm de lidar no seu dia-a-dia. A formação e o empenho já não são garantes de emprego. A emancipação e a procura por uma vida melhor estagnam, quando confrontadas com a dura realidade do desemprego, do trabalho precário e mal pago. A crise financeira que atravessamos, embora relevante, não denuncia as verdadeiras causas do desemprego jovem na Madeira. O problema do desemprego jovem na Madeira há muito que deixou de ser conjuntural para ser estrutural, fruto de um laxismo imperdoável por parte do Governo Regional da Madeira que nos ensombra há muitos anos. É um deixar andar de maus usos e abusos que nos trouxeram ao que temos hoje: um vazio de oportunidades sem soluções à vista. O motivo pelo qual os jovens abandonam a Madeira não é conjuntural mas estrutural. Uma sociedade que estimula a precariedade, os recibos verdes, o despedimento facilitado, o desinteresse na formação e na contratação de pessoas qualificadas em detrimento de outros que a baixo custo efetuam trabalhos similares. Esta não é uma sociedade amiga dos jovens Madeirenses. Esta não é uma sociedade onde seja possível o jovem iniciar a sua carreira profissional, realizar-se em termos pessoais, constituir uma família e permanecer na terra que o viu nascer. Esta é a realidade que afasta os nossos jovens, que os força para a emigração e os faz abandonar aqueles que amam. Perante esta situação, é premente e necessária a união dos jovens em torno de um objetivo comum: a luta por um dos mais elementares direitos, o direito ao emprego e a uma vida estável. Acredito nos jovens e na sua capacidade para enfrentar os safios que nos aguardam.
Orlando Fernandes, Presidente da JS-M