Saber ler para depois poder transmitir aquilo que se lê, é uma das capacidades adquiridas mais importante da nossa espécie, graças ao desenvolvimento anatómico organizado do nosso cérebro, que no lobo temporal esquerdo concebeu uma zona específica, a chamada "Área de Broca" a qual permite a singular faculdade da fala, a capacidade de produzir pensamentos ... que não existe, visível, entre outros animais. Ler, ou melhor, decifrar uma linguagem escrita, é a maneira mais comum e universal de comunicação entre os povos e para a poder executar, aprende-se a reconhecer, a forma e o som dos símbolos, colocados á nossa frente, sejam eles, indo-europeus, sino-tibetanos, semíticos ou bantu - nestes, devem estar incluídas as línguas mais faladas, na actual humanidade. Depois, temos, dialectos, códigos, que são linguagens fabricadas, digamos, artificiais, realizadas com a intenção em fazer uma comunicação particular, com alguma segurança. Com esta declarada globalização - portanto, sem barreiras alfandegárias, com intercâmbios fáceis e variados para os países emergentes - não admira que, tantas e tantos, aspirem querer falar as línguas sino-tibetanas, o mandarim por exemplo, ... embora me pareça mais fácil e até mais lógico, serem eles - que são muitos milhões -a começar a aprender as nossas línguas, em particular o inglês ou outras onde possamos estar incluídos. Mas também se pode ler por outras formas e feitios: ler as mãos - vulgarmente chamado "ler a sina", pode ler-se nos lábios - muito útil para os técnicos especializados em espionagem internacional, ler nos olhos - usado nos tempos do cinema mudo, no tempo do Charlot e companhia, ... ler o pensamento, importante na Psiquiatria ou Psicologia, e também pode ler-se, o que vai na alma, frequente e comum dentro daquelas organizações espirituais ou igrejas - com participação colectiva e activa - que a estes assuntos se dedicam. Nesta maneira de pensar, o acto de ler, que na forma mais comum implica decifrar um texto, não é tão simples como salta á vista. Há que entender o que está escrito, o que se quer dizer - leia-se um artigo - que pode ser o 235º do nosso Código Penal ( CP ) - e entendam melhor aquilo que pretendo dizer... as dificuldades na interpretação, e depois de decisão e actuação ... e deve haver pior do que o CP nos meio de todos os códigos portugueses, que afinal, existem para ajudar ao desenvolvimento e organização da Nação! Aqui, apetece dizer que não é a justiça que está mal, mas são os códigos que a regem, que estão desadequados e os culpados, são aqueles que os elaboraram! Lembrei-me do processo Casa Pia, que, apesar das suas particularidades e múltiplos intervenientes, é um exemplo de escândalo das vulnerabilidades do sistema judicial português. Como o é o acidente de Camarate, que já absorveu 9 comissões parlamentares de inquérito e a 10ª, iniciou mesmo agora, as suas funções! É um absurdo! Afinal o que se pretende quando se lê, é que se entenda o que lá está escrito, e assim, que tenha conteúdo esclarecedor, melhor se for apelativo, mas se for linguagem técnica que seja acessível e decifrável. Quem contacta com animais domésticos, percebe que, alguns deles também "leiem" ... leiem o nosso odor, "leiem" o teor da nossa adrenalina, entendem a nossa atitude, a nossa postura, podendo reagir de acordo com a "leitura" realizada. Enfim, ler é existir e é dos maiores prazeres que se pode ter, pela potencialidade deste acto, simples, humano e adquirido. E pode fazer-se em todo o lado, até no WC, ... que pelos vistos é um local requisitado e aprazível! Outros, preferem ler, durante as viagens, ... e nos seus transportes escolhem as classes executivas, para não serem incomodados, pelos vizinhos. Feitios!

José Manuel Ramos