Iniciámos o ano com algumas boas notícias na área do turismo. Na ilha do Porto Santo as obras de acabamento do 'Colombo's Resort' foram retomadas e decorre em bom ritmo a construção da nova unidade hoteleira destinada à Fundação Social do Quadro Bancário, que trabalhará o ano inteiro com hóspedes portugueses. A nível regional o destaque maior vai para o excelente desempenho das unidades hoteleiras que num 'ranking' das 25 melhores unidades portuguesas, classificadas pelos utentes da poderosa rede social de viagens e destinos 'Trip Advisor', conseguem ocupar uma dúzia de hotéis, nos lugares cimeiros. Um resultado surpreendente, em termos nacionais, mas esperado, já que todos sabemos a valia do nosso serviço e a qualidade da infra-estrutura que dispomos. Quanto às acessibilidades, sempre a questão mais complicada deste pacote, também há boas notícias. Este ano teremos mais voos de aeroportos estrangeiros. A Lufthansa vai continuar com os dois voos semanais da Alemanha, que não tinha no ano passado, a Monarch terá também cinco voos semanais do Reino Unido, que não havia em 2012, e a EasyJet, por via da chegada da Monarch está a retomar frequências em Londres que tinha abandonado. Além do mais manter-se-á a alta da oferta de lugares de aeroportos franceses, que no ano transacto teve um aumento de 25%. A tendência é manter-se em crescimento. E outras novidades são esperadas lá pelo Verão. As más notícias são a crise e o ambiente recessivo que se vive em Portugal e Espanha, dois dos mais importantes mercados da Madeira, nomeadamente na época estival, e o cenário de estaleiro que a cidade do Funchal vai apresentar nos próximos dois anos. Também os atrasos nos pagamentos dos salários nalguns hotéis locais e as obras inacabadas. O que é preciso fazer para já? Sem demoras valorizar o que de melhor a Madeira tem, aproveitar a 'boleia' dos destaques das classificações e prémios, por vezes discutíveis ou insignificantes, mas no caso do 'Trip Advisor' úteis e merecidos, pois foram atribuídos com singeleza e votados de forma voluntária pelos próprios clientes dos hotéis, enquanto nos gabinetes se cumpre o prometido de dotar a região autónoma de um plano estratégico em que fique consignado o entendimento quanto ao futuro, que é já amanhã. Sem demoras para não perdermos mais do pouco tempo que resta para o sector recuperar pujança, voltar a criar riqueza e emprego. Sim, emprego, meus senhores! É por isso que acreditamos na economia de escala… Foi para isso que se construíram hotéis e, por isso, fomos levados a acreditar que a actividade turística possa ser um dos sustentáculos da actividade económica e social da Madeira. Não o será se a hotelaria continuar a ter menos receitas, se prosseguir com os despedimentos e com quadros mínimos de pessoal (sempre a descer desde a abertura das unidades) e a comprar com menos qualidade e pelo preço mais baixo. Inevitavelmente a vender quartos a preço cada vez mais baixo… O foco está, agora, em conseguir trabalhar diferente. Diferente dos últimos dois anos.

Catanho Fernandes, Jornalista