Assiste-se, por todo o lado, a debates e discussões sobre a escola, este interesse é bastante positivo porque o seu desempenho compromete o futuro e o desenvolvimento da nossa sociedade. Não obstante, em vez de se especular sobre o que se ouve falar, antes de se enunciar conclusões precipitadas, seria mais honesto conhecer bem a realidade em análise. As escolas são espaços dinâmicos, repletos de vidas intensas, cada uma com a sua caraterística singular, cada uma com os seus distintos compromissos, pessoais e profissionais. É neste ambiente de contrastes que os professores desenvolvem o seu trabalho, uns com boas turmas, outros com turmas demasiado problemáticas, outros a acumular os dois contextos. O docente de um grupo de alunos estudiosos e empenhados no seu progresso, com um seio familiar estável e preocupado assume uma tarefa também exigente e além de ser reconhecido como um excelente professor, porque os seus alunos atingem boas notas, possui, ao mesmo tempo, todos os requisitos para se sentir realizado. E os professores que estão longe desta realidade? Os que não têm bons alunos? Não são dignos do mesmo ou um maior reconhecimento pelo seu profissionalismo? A sociedade, ao valorizar apenas resultados de exames, esquece, de forma injusta, os professores que exercem a sua profissão com os alunos profundamente desmotivados e problemáticos. Ser professor com alunos sem qualquer espírito de labor é uma tarefa épica, desgastante profissional, física e emocionalmente. Muitos destes alunos não distinguem o bem do mal, desconhecem os afetos, enjeitam deveres e regras, são desestabilizadores, alguns desequilibrados, outros vivem num ambiente de violência e/ou de toxicodependências. Estes professores, também competentes e capazes, merecem ser respeitados pelo seu trabalho heróico, embora o sucesso dos seus alunos não se encontre nos resultados dos exames, mas na mudança de atitudes e na aquisição de competências pessoais e sociais.

Rui Caetano, Professor