Ultimamente temos assistido a uma polémica à volta das promoções das maiores cadeias de hipermercados. Todos sabemos que a relação comercial entre os hipermercados e alguns distribuidores e produtores é uma relação desigual e desequilibrada. As grandes superfícies têm uma posição claramente dominante e por isso conseguem que os descontos efectuados aos seus clientes sejam muitas vezes suportados na totalidade ou em parte pelos produtores e distribuidores, garantindo assim que a sua margem não é muito afectada.
O Governo, em nome da protecção aos produtores, quer limitar as promoções dos hipermercados. A intenção propagandeada é a de assegurar que não hajam alterações aos contratos entre fornecedores e hipermercados para que não sejam os produtores a suportar os custos das promoções. A intenção parece boa, mas talvez o secretário de estado não saiba, que muitas das promoções, mesmo as que têm a totalidade dos custos repercutidos nos fornecedores, podem resultar de uma estratégia comum. É preciso relembrar que a posição dominante dos hipermercados, pode sempre fazer com que sejam quebrados os laços comerciais com os fornecedores, e sejam estabelecidos novos acordos com fornecedores/produtores estrangeiros que tenham maior capacidade de assumir os custos das promoções.
O resultado que pode advir desta medida é uma diminuição dos produtos em promoção, levando os consumidores a optar por produtos estrangeiros (mais baratos), que em última analise irá diminuir o incentivo ao consumo de produtos nacionais e à deterioração da indústria e agricultura portuguesa. Por outro lado, esta medida, também poderá retirar o fôlego que essas promoções davam ao orçamento familiar da generalidade dos portugueses. É realmente uma medida perigosa, que em última análise, nos pode empurrar ainda mais para o fundo do poço.
Luís Pedro Branco, Gestor Financeiro